Corte da Selic para 14% divide mercado e reacende alerta para risco de recessão.

Economia

A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de reduzir a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, fixando a Selic em 14% ao ano, provocou reações distintas entre empresários, economistas e representantes do setor produtivo.

Enquanto entidades ligadas ao comércio comemoraram o início de um alívio no custo do crédito, principalmente às vésperas da Black Friday e do Natal, representantes da indústria criticaram o ritmo considerado lento da redução dos juros.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) afirmou que a taxa permanece muito acima do necessário para o atual cenário da inflação e classificou os juros elevados como um fator que dificulta investimentos, reduz o crescimento econômico e afeta diretamente empresas e consumidores.

Especialistas também demonstram preocupação com os impactos da política monetária sobre a atividade econômica. O economista Felipe Salto alertou que a combinação entre juros elevados por um período prolongado e um possível ajuste fiscal em 2027 pode aumentar o risco de desaceleração da economia e até de uma recessão.

Por outro lado, analistas do mercado financeiro consideraram a decisão do Banco Central prudente. A avaliação predominante é que a autoridade monetária optou por manter flexibilidade para futuras decisões, diante das incertezas relacionadas à inflação, ao cenário internacional e às condições fiscais do país.

No mercado de crédito, especialistas destacam que o corte ainda tem impacto limitado sobre financiamentos e empréstimos, já que as taxas continuam elevadas. Empresas e produtores rurais deverão manter planejamento financeiro rigoroso enquanto aguardam novos movimentos do Banco Central.

A expectativa de parte dos economistas é que novos cortes ocorram de forma gradual, desde que os indicadores econômicos continuem favoráveis e a inflação permaneça sob controle.

Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

Redação: Ana Flávia

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