O Banco Central reforçou a cautela na condução da política monetária ao divulgar a ata da reunião que reduziu a taxa Selic para 14% ao ano. O corte de 0,25 ponto percentual foi o quarto consecutivo, mas o documento não apresenta uma indicação clara sobre o que poderá acontecer nas próximas reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom).
Segundo o Banco Central, a estratégia continua concentrada na convergência da inflação para a meta. A autoridade monetária avalia que o cenário ainda exige atenção diante dos diferentes fatores que podem pressionar os preços e alterar as perspectivas para a economia brasileira.
A decisão de reduzir os juros ocorreu em um ambiente de desaceleração gradual da atividade econômica e de melhora em alguns indicadores de inflação. Mesmo assim, o Copom mantém preocupação com as expectativas inflacionárias e com fatores que podem dificultar o retorno da inflação ao objetivo estabelecido.
PRÓXIMOS CORTES NÃO ESTÃO GARANTIDOS
A ata evita estabelecer uma trajetória automática para a Selic. Na prática, isso significa que novas reduções dependerão da evolução dos indicadores econômicos e da avaliação dos riscos nas próximas reuniões.
O mercado, entretanto, ainda trabalha com a possibilidade de novos cortes. Projeções recentes de analistas apontavam para uma Selic de 13,75% ao ano ao longo do ciclo, embora a própria comunicação do Banco Central indique que não há compromisso antecipado com esse caminho.
POLÍTICA FISCAL ENTRA NOVAMENTE NO RADAR
Outro ponto de destaque é a atenção dada pelo Banco Central à política fiscal. Para a autoridade monetária, a coordenação entre as políticas fiscal e monetária é importante para melhorar as condições de convergência da inflação.
O comportamento das contas públicas pode influenciar as expectativas dos agentes econômicos, as condições financeiras e a trajetória da inflação. Por isso, o tema permanece entre os fatores acompanhados pelo Copom na definição dos juros.
INFLAÇÃO CONTINUA SENDO O PRINCIPAL FOCO
Mesmo com a redução da Selic, o Banco Central mantém uma postura restritiva porque a inflação ainda não está plenamente alinhada ao centro da meta. A instituição afirma que continuará avaliando o comportamento dos preços, das expectativas, da atividade econômica e do cenário externo antes de tomar novas decisões.
A nova taxa de 14% representa uma redução importante em relação ao patamar anterior, mas o comunicado deixa claro que o processo de flexibilização não deve ser interpretado como uma garantia de cortes sucessivos.
A próxima etapa da política monetária dependerá, portanto, dos dados que serão divulgados até a próxima reunião do Copom. Para o mercado, a combinação entre inflação, atividade econômica, cenário fiscal e ambiente internacional será determinante para definir se o ciclo de queda dos juros terá continuidade.
Foto: Adriano Machado / Reuters
Redação – Ana Flavia