A corrida presidencial de 2026 começa a ganhar contornos mais definidos e, ao mesmo tempo, amplia o confronto dos principais nomes da disputa com instituições que ocupam posições estratégicas no cenário político brasileiro.
De um lado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva coloca o sistema de emendas parlamentares entre os pontos que pretende revisar caso conquiste um novo mandato. Do outro, o senador Flávio Bolsonaro intensifica as críticas ao Supremo Tribunal Federal, especialmente ao ministro Alexandre de Moraes.
Os movimentos revelam estratégias eleitorais diferentes e colocam Legislativo e Judiciário no centro do debate político.
LULA PROPÕE MUDANÇAS NAS EMENDAS
O programa de governo apresentado por Lula ao Tribunal Superior Eleitoral prevê alterações no atual modelo de emendas parlamentares.
O documento classifica o sistema como um problema para a gestão do orçamento federal e argumenta que o crescimento das emendas impositivas e de modalidades que ganharam força nos últimos anos modificou a relação entre Executivo e Legislativo.
A proposta promete discutir uma nova forma de organização desses recursos, tema que historicamente provoca atritos entre o Palácio do Planalto e lideranças do Congresso.
Apesar das críticas, integrantes do PT afirmam que a intenção não seria estabelecer um confronto institucional com os parlamentares, mas discutir os limites e as responsabilidades de cada Poder.
O programa também estabelece condições para a criação de um Ministério da Segurança Pública. A estrutura só seria criada, segundo o documento, após o avanço da PEC relacionada à área no Congresso.
Outro ponto citado é a redução da jornada de trabalho na chamada escala 6×1, cuja proposta também depende de tramitação no Senado.
FLÁVIO AUMENTA TOM CONTRA O STF
Enquanto Lula direciona parte de seu discurso para o funcionamento do Legislativo, Flávio Bolsonaro tem concentrado sua atuação eleitoral em críticas ao Supremo Tribunal Federal.
O senador voltou a atacar a Corte após ter o pedido para visitar o pai, Jair Bolsonaro, no Dia dos Pais, negado pelo ministro Alexandre de Moraes.
Em manifestação pública, Flávio classificou a decisão como injusta e desumana e demonstrou forte emoção ao falar sobre o ex-presidente.
Moraes manteve as restrições anteriormente determinadas para as visitas a Bolsonaro. Segundo a decisão, permanecem autorizados os acessos relacionados a atendimento médico, fisioterapia e defesa jurídica, enquanto outras visitas seguem suspensas.
O episódio passou a ocupar espaço importante no discurso político de Flávio e reforçou uma das principais bandeiras do bolsonarismo: as críticas à atuação do STF.
SENADO GANHA IMPORTÂNCIA NO DEBATE
A disputa pelas cadeiras do Senado também passou a ter peso estratégico para os grupos ligados à direita.
A Casa possui, entre suas atribuições constitucionais, a competência para processar e julgar ministros do Supremo em casos de crimes de responsabilidade. Por isso, a composição do Senado é vista por setores do campo conservador como uma peça importante para a estratégia de enfrentamento ao STF.
Flávio Bolsonaro deve ampliar a articulação com candidatos ao Senado alinhados ao seu grupo político, buscando fortalecer uma eventual bancada de oposição à Corte.
DOIS DISCURSOS, UM MESMO CENÁRIO ELEITORAL
A estratégia adotada pelos dois pré-candidatos evidencia diferentes frentes de disputa.
Lula aposta no debate sobre orçamento público e na revisão da relação entre Executivo e Legislativo, enquanto Flávio Bolsonaro utiliza as decisões do Supremo como um dos principais elementos de mobilização de seu eleitorado.
Com a eleição presidencial se aproximando, os conflitos envolvendo Congresso e STF tendem a ganhar ainda mais espaço nos discursos dos candidatos e nas negociações políticas.
O cenário também deverá influenciar as disputas para deputados e senadores, tornando a composição do Congresso um dos fatores relevantes para a governabilidade do próximo presidente.
FOTO: Arte sobre imagens de Luiz Inácio Lula da Silva, Flávio Bolsonaro e Alexandre de Moraes.
REDAÇÃO: Ana Flavia