O indicador de atrasos no crédito consignado voltado a trabalhadores com carteira assinada no setor privado atingiu a marca histórica de 10% em julho de 2026. Segundo dados oficiais divulgados pelo Banco Central do Brasil, este é o maior patamar registrado desde o início da série temporal da autoridade monetária, iniciada em março de 2011, marcando a primeira vez que a taxa alcança a casa dos dois dígitos.
A aceleração do indicador surpreendeu analistas pela velocidade de expansão. Apenas na transição de junho para julho, o índice saltou 1,3 ponto percentual, vindo de 8,7%. No acumulado de 12 meses, a alta chega a 3,8 pontos percentuais. O cenário do consignado privado contrasta fortemente com o comportamento de outras modalidades garantidas em folha: entre servidores públicos a inadimplência situou-se em 2,7%, enquanto no segmento do INSS fechou o mês em 2,1%.
Especialistas e economistas apontam que o agravamento da inadimplência ocorre logo após um período de forte expansão da carteira de crédito, que dobrou de tamanho nos últimos 12 meses e alcançou R$ 117,7 bilhões. A maturação das safras de empréstimos concedidas ao longo do ano passado, aliada à rotatividade no mercado de trabalho e eventuais falhas na migração automática de descontos entre empregadores, impulsionou os calotes acima de 90 dias.
Com a taxa média de juros do setor mantida em patamares elevados de 53,9% ao ano, o avanço da inadimplência no consignado privado aproxima o risco da linha garantida ao do crédito pessoal não consignado tradicional (10,7%). O Banco Central e as instituições financeiras mantêm monitoramento reforçado sobre as novas concessões para conter a deterioração da qualidade do crédito.
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Redação – Thiago Salles