A crescente popularização das chamadas canetas emagrecedoras — medicamentos pertencentes à classe dos agonistas do receptor de GLP-1 — reacendeu o debate sobre a segurança de seu uso prolongado e a possível associação com o desenvolvimento de câncer de tireoide. Contudo, o consenso atual da comunidade médica e científica aponta que não há evidências concretas de que os fármacos provoquem a doença em seres humanos.
As dúvidas em relação à segurança surgiram a partir de testes laboratoriais pré-clínicos realizados em roedores, nos quais foi identificado o aparecimento de tumores nas células C da tireoide após a exposição contínua às substâncias. Por precaução regulatória, a informação passou a constar nas bulas dos medicamentos. No entanto, especialistas ressaltam que a biologia celular da tireoide dos roedores difere significativamente da humana, impedindo a extrapolação direta dos resultados.
Em contrapartida, grandes revisões de ensaios clínicos e estudos observacionais envolvendo dezenas de milhares de pacientes tratados com princípios ativos como a semaglutida não registraram aumento estatisticamente relevante nos casos de neoplasia tireoidiana. Nesses acompanhamentos, a taxa de ocorrência do problema permaneceu abaixo de 1%, patamar alinhado à média populacional.
Apesar dos dados tranquilizadores, as diretrizes médicas mantêm a contraindicação formal do tratamento para indivíduos com histórico pessoal ou familiar de carcinoma medular da tireoide ou portadores da síndrome de neoplasia endócrina múltipla tipo 2 (MEN2). Para a população geral, a orientação dos endocrinologistas é manter o acompanhamento médico regular e evitar a interrupção descontinuada do tratamento sem avaliação prévia.
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Redação – Thiago Salles