O ano de 2025 marca um novo ápice para o bolso do brasileiro, mas com um alerta importante sobre como esse dinheiro está sendo distribuído. Segundo dados da Pnad Contínua divulgados pelo IBGE nesta sexta-feira (8), o rendimento médio mensal real domiciliar per capita no Brasil saltou para o recorde de R$ 2.264, uma alta expressiva de 6,9% em comparação ao ano anterior.
O “motor” desse crescimento foi um mercado de trabalho vigoroso e o rendimento vindo de outras fontes. Contudo, o IBGE aponta que os ganhos foram mais intensos no topo da pirâmide: os 1% mais ricos viram sua renda per capita chegar a R$ 24.973, um salto de 9,9%. Já os 10% mais pobres, embora tenham tido alta de 3,1%, ainda sobrevivem com apenas R$ 268 mensais — menos de R$ 9,00 por dia.
Essa diferença de velocidade nos ganhos fez o Índice de Gini (que mede a desigualdade) subir de 0,504 para 0,511. Segundo Gustavo Geaquinto Fontes, analista do IBGE, o cenário de juros elevados beneficiou quem possui aplicações financeiras, enquanto o mercado imobiliário em alta inflou os rendimentos de aluguéis, ambas fontes de renda concentradas nas classes mais altas.
Apesar da leve subida na desigualdade em 2025, o pesquisador ressalta que, numa perspectiva de longo prazo, o Brasil ainda está em uma posição melhor do que antes da pandemia. Desde 2019, a renda dos mais pobres cresceu quase 80%, impulsionada por reajustes no salário mínimo e programas sociais. O desafio atual parece ser manter o ritmo de inclusão enquanto os setores de capital e alta qualificação do trabalho disparam na frente.
Foto: Tiago Queiroz/Estadão/Reprodução
Redação – Thiago Salles