O uso da cúrcuma como “superalimento” sofreu um importante freio regulatório no Brasil. A Anvisa atualizou a Instrução Normativa n° 28/2018, estabelecendo novos tetos para o consumo diário de substâncias isoladas da planta. A decisão foi motivada pelo aumento de casos suspeitos de intoxicação hepática ligados a formulações modernas que, embora naturais, aumentam de forma artificial a absorção do composto pelo corpo.
O monitoramento de segurança revelou que o fígado pode sofrer reações inflamatórias violentas ao tentar processar essas doses ultra-concentradas. O risco é ainda maior para pessoas com histórico de doenças biliares ou que já utilizam outros medicamentos. É fundamental ressaltar que a restrição não atinge o uso da cúrcuma como tempero culinário, que permanece seguro e saudável devido às baixas dosagens usadas na cozinha.
Com as novas regras, a ingestão diária permitida de Curcumina passa a ser de, no máximo, 130 mg. Para os tetraidrocurcuminoides, o limite é de 120 mg. A agência também proibiu a mistura desses compostos em um único produto para evitar a sobrecarga do organismo.
As empresas do setor têm um prazo de seis meses para adaptar suas fórmulas e incluir alertas explícitos de que o produto é proibido para gestantes, lactantes, crianças e pessoas com úlceras gástricas ou doenças no fígado. A medida visa proteger o consumidor que, muitas vezes, acredita que “por ser natural, não faz mal”, ignorando os riscos de doses tecnológicas elevadas.
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Redação – Thiago Salles