Com a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de manter a taxa Selic em 15% ao ano, o mercado de Fundos de Investimento Imobiliário (FIIs) sente os reflexos imediatos. A renda fixa segue extremamente atrativa, o que reduz o apetite por ativos de renda variável como os FIIs, que acabam tendo suas cotas desvalorizadas, especialmente os fundos que investem diretamente em imóveis.
Analistas do setor indicam que o impacto mais forte vem não apenas da Selic, mas da expectativa em torno dos juros futuros e da tramitação da MP 1303, que pode trazer nova tributação sobre dividendos dos FIIs — hoje isentos.
A possível taxação de 5% sobre rendimentos e a redução da alíquota de IR sobre ganho de capital de 20% para 17,5% tem causado apreensão nos investidores. A Medida Provisória tem prazo de validade até 8 de outubro e precisa ser aprovada pelo Congresso para entrar em vigor.
Fundos de “papel”, que investem em títulos atrelados à inflação ou ao CDI, tendem a se sair melhor nesse cenário, enquanto os fundos de “tijolo” enfrentam desafios maiores devido à alta nos custos de financiamento e menor atratividade das cotas.
Apesar da tensão, especialistas seguem otimistas a longo prazo. Acreditam que, em caso de queda dos juros nos próximos ciclos, os FIIs podem voltar a ganhar força e oferecer boas oportunidades de valorização para investidores que mantêm uma visão estratégica e de longo prazo.