Milícia teria mandado executar padeiro após comerciante desafiar esquema de extorsão no Rio.

Brasil

As investigações da Polícia Civil do Rio de Janeiro apontam que a morte do padeiro Rafael Oliveira Braga estaria diretamente ligada a um esquema de controle econômico imposto por milicianos na região de Paciência, na Zona Oeste da capital.

De acordo com os investigadores, o comerciante teria sido pressionado a aderir a um sistema ilegal que determinava o aumento do preço do pão francês e obrigava estabelecimentos locais a adquirir farinha fornecida pelos próprios criminosos. Rafael, porém, teria recusado as exigências impostas pelo grupo.

A Delegacia de Homicídios da Capital concluiu que a negativa do padeiro foi interpretada como um desafio à autoridade da organização criminosa. Segundo a apuração, a ordem para executá-lo teria sido dada como forma de manter o controle financeiro da milícia sobre os comerciantes da região e servir de exemplo para outros empresários.

Entre os denunciados estão João Lucas Vieira Carreira de Jesus, conhecido como “Jotinha”, apontado como o executor do crime, e Paulo Roberto de Carvalho Martins, chamado de “Jorjão” ou “PL”, considerado uma das principais lideranças da organização criminosa que atua em Paciência.

As investigações também identificaram Erlan Oliveira de Araújo, conhecido como “Orelha”, como um dos responsáveis pela determinação do homicídio. Entretanto, ele não chegou a ser denunciado porque morreu durante o andamento das investigações, ainda em 2025.

Imagens analisadas pela Polícia Civil mostram o momento em que suspeitos circulam pela região em uma motocicleta vermelha pouco antes do assassinato. Conforme o inquérito, os disparos ocorreram nas primeiras horas da manhã, e os criminosos deixaram o local em menos de um minuto após a execução.

Os investigadores destacam que o esquema de controle sobre a venda de farinha e a manipulação dos preços de produtos básicos, prática já identificada em áreas dominadas por facções criminosas, também estaria sendo utilizado por milícias para ampliar seus lucros e fortalecer sua influência econômica sobre comerciantes locais.

Foto: Reprodução / Polícia Civil do Rio de Janeiro

Redação – Thiago Salles

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