O Brasil encerrou 2025 com a criação líquida de 1,28 milhão de empregos com carteira assinada, conforme dados do Caged, sistema oficial do Ministério do Trabalho e Emprego. O saldo é resultado de aproximadamente 26,6 milhões de admissões frente a 25,3 milhões de desligamentos ao longo do ano.
Apesar do número positivo, o desempenho representa uma queda expressiva de 23% em comparação a 2024, quando o país havia gerado cerca de 1,67 milhão de vagas formais. Com isso, 2025 se consolida como o pior ano para o emprego desde 2020, período marcado pela crise sanitária da pandemia, quando o saldo anual foi negativo.
O mês de dezembro aprofundou o sinal de enfraquecimento, com fechamento de cerca de 618 mil postos de trabalho. O resultado segue um padrão sazonal, influenciado principalmente pelo encerramento de contratos temporários no comércio e nos serviços após as festas de fim de ano, além de ajustes de custos e cortes de projetos por parte das empresas.
Segundo o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, a trajetória recente do mercado de trabalho indica um processo de desaquecimento gradual, fortemente impactado pelo patamar elevado da taxa básica de juros, atualmente em torno de 15% ao ano, o que freia investimentos e contratações.
Do total de vagas criadas em 2025, cerca de 78,4% foram classificadas como empregos típicos, enquanto 21,6% se enquadraram como não típicos. Ainda assim, todos os grandes setores da economia fecharam o ano no campo positivo. O setor de serviços liderou com ampla vantagem, gerando aproximadamente 758,8 mil postos, seguido por comércio (247,1 mil), indústria (144,3 mil), construção (87,8 mil) e agropecuária (41,8 mil).
No recorte regional, todas as unidades da federação apresentaram saldo positivo. São Paulo concentrou o maior volume de novas vagas, com cerca de 311 mil, à frente do Rio de Janeiro, com 100,9 mil, e da Bahia, com 94 mil postos criados.
Analistas avaliam que, embora os números evitem um cenário de retração, o ritmo mais lento da geração de empregos reforça preocupações sobre o crescimento econômico em 2026, especialmente se o ambiente de juros elevados persistir.
Foto: José Cruz / Agência Brasil
Redação Brasil News