A guerra no Oriente Médio começa a provocar impactos diretos no abastecimento de alimentos, acendendo um alerta global. A empresa dinamarquesa de transporte marítimo A.P. Moller-Maersk afirmou que a região enfrenta uma necessidade urgente de importações alimentares, prejudicadas pelo bloqueio de rotas estratégicas.
Segundo a companhia, o fechamento do Estreito de Ormuz — uma das principais vias de transporte marítimo do mundo — praticamente paralisou o fluxo de cargas no Golfo Pérsico. A interrupção ocorre em meio à escalada do conflito envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel.
Países do Golfo, como Arábia Saudita, Catar e Emirados Árabes Unidos, dependem fortemente de importações para garantir o abastecimento interno. Estimativas apontam que essas nações importam até 85% dos alimentos consumidos, o que agrava ainda mais a situação diante da crise logística.
A A.P. Moller-Maersk informou que suspendeu temporariamente reservas de carga para diversos portos da região e passou a aplicar sobretaxas emergenciais devido ao aumento dos custos operacionais, principalmente com combustível e segurança.
Mesmo diante das dificuldades, a empresa tenta encontrar rotas alternativas para manter o fluxo de mercadorias. Uma das prioridades é o transporte de alimentos perecíveis, que dependem de contêineres refrigerados para chegar em condições adequadas.
Outras empresas do setor também já sentem os impactos da crise. A concorrente Hapag-Lloyd estima prejuízos semanais de até 50 milhões de dólares, refletindo o aumento de custos com seguro, combustível e armazenamento.
O cenário preocupa não apenas o Oriente Médio, mas também o mercado global. A interrupção nas cadeias de suprimento pode pressionar preços de alimentos e afetar economias ao redor do mundo.
Com o conflito ainda sem solução e rotas estratégicas comprometidas, especialistas alertam que a crise pode se intensificar nos próximos dias, ampliando os efeitos econômicos e humanitários da guerra.
Foto: Divulgação/Maersk
Redação – Thiago Salles