O dólar apresentou queda no mercado brasileiro na manhã desta terça-feira após ter iniciado o dia em forte alta impulsionado pelas tensões geopolíticas no Oriente Médio. A moeda norte-americana chegou a ultrapassar a marca de R$5,28 no início das negociações, acompanhando a valorização global do dólar diante das preocupações com o conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã.
Por volta das 11h14, o dólar à vista registrava recuo de 0,40%, sendo negociado a aproximadamente R$5,2240 na venda. Já no mercado futuro, o contrato mais líquido da B3, com vencimento em abril, apresentava queda ainda maior, de cerca de 0,68%, sendo cotado a R$5,2535.
De acordo com analistas do mercado financeiro, o movimento de queda ocorreu porque investidores e exportadores aproveitaram o patamar mais elevado da moeda para vender dólares e realizar lucros. Esse comportamento é comum quando o câmbio atinge níveis considerados atrativos para liquidação de posições.
Segundo Jefferson Rugik, diretor da Correparti Corretora, quando o dólar atinge determinados valores muitos agentes que estavam posicionados na alta optam por desmontar suas posições, principalmente no mercado futuro, garantindo os ganhos obtidos com a valorização da moeda.
Outro fator que ajudou a dar sustentação ao real foi a valorização de commodities importantes para a economia brasileira, como o petróleo e o minério de ferro. Como esses produtos fazem parte da pauta exportadora do país, sua alta tende a fortalecer a moeda brasileira no mercado cambial.
No cenário internacional, as tensões geopolíticas continuam no radar dos investidores. Durante o fim de semana, o Irã anunciou Mojtaba Khamenei como sucessor de Ali Khamenei na liderança suprema do país, indicando continuidade da linha mais rígida no comando político iraniano.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, criticou publicamente a escolha e afirmou que a nomeação seria inaceitável. A situação amplia as incertezas sobre o rumo do conflito na região.
Enquanto isso, no Brasil, o Boletim Focus divulgado pelo Banco Central mostrou pouca alteração nas expectativas do mercado para o dólar no final de 2026. A projeção mediana passou de R$5,42 para R$5,41. Já a estimativa para a taxa básica de juros, a Selic, subiu ligeiramente, passando de 12% para 12,13%.
Na agenda do dia, o Banco Central também programou um leilão de 50 mil contratos de swap cambial tradicional com o objetivo de rolar o vencimento previsto para 1º de abril.
Na sessão anterior, o dólar à vista havia encerrado o pregão com queda de 0,88%, cotado a R$5,2414.
Foto: Marcello Casal Jr / Agência Brasil
Redação Brasil News