Para tentar dar uma falsa aparência de solidez às captações de recursos, a AJX oferecia aos investidores como garantia supostas ações em papel do extinto Banco do Estado de Santa Catarina (Besc). Contudo, o Banco do Brasil — instituição que incorporou o Besc em 2008 — enviou documentos à polícia e ao Ministério Público atestando que os papéis físicos apresentados não possuem nenhum valor comercial ou societário, classificando a operação da empresa como fraude. O Ministério Público investiga a atuação da AJX sob a suspeita de formação de pirâmide financeira e organização criminosa, apontando a ausência de qualquer atividade econômica real capaz de gerar os lucros prometidos.
A derrocada da empresa acelerou-se nos últimos meses diante da impossibilidade de honrar os pagamentos. Investidores relataram que a empresa alegava “problemas operacionais” e tentava convencer os clientes a manterem o dinheiro retido por prazos ainda maiores. Paralelamente, juízes da comarca de Barueri identificaram manobras de ocultação de patrimônio e o uso de contas em nome de terceiros para movimentar valores à margem do sistema financeiro tradicional. Em uma das contas abertas em uma plataforma de pagamentos, foram registrados repasses de R$ 283,6 mil que evaporaram antes que a Justiça pudesse efetuar os bloqueios judiciais.
Com a decretação oficial da falência, todas as centenas de ações cíveis individuais movidas contra a AJX Capital ficam congeladas. A partir de agora, a administradora judicial nomeada pelo Tribunal, a Brazilio Bacellar Shirai, assume o controle para mapear o patrimônio restante, rastrear bens transferidos ilicitamente a terceiros e tentar recuperar valores para ressarcir as vítimas do golpe.
Em nota, a defesa da AJX Capital afirmou que está recorrendo da decisão no Tribunal de Justiça de São Paulo para tentar reverter a falência, alegando que busca medidas cabíveis para preservar suas atividades e repactuar os débitos com a base de credores.
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