O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disparou novas e graves ameaças contra a independência do Federal Reserve e o comércio internacional. Através de sua conta oficial na rede social Truth Social, o mandatário norte-americano exigiu que o banco central dos EUA corte a taxa de juros de forma drástica, sob a ameaça de interromper as negociações comerciais com países que registram superávit em relação aos EUA.
“A taxa de juros alta coloca os EUA em uma desvantagem muito unfair (desleal), e eu não vou permitir que isso aconteça!”, escreveu Trump. O presidente enfatizou que os EUA deveriam liderar o ranking global com os menores juros do planeta: “Devemos ter a TAXA MAIS BAIXA de qualquer país do mundo… REDUZAM OS JUROS OU VOU PARAR DE NEGOCIAR COM PAÍSES COM OS QUAIS TEMOS DÉFICIT”, ameaçou.
A declaração ocorre em um momento de forte fricção entre a Casa Branca e o novo chair do Fed, Kevin Warsh. Para piorar o impasse, relatórios recentes divulgados pelo Escritório de Estatísticas do Trabalho mostraram que a criação de empregos no mês de agosto superou as expectativas do mercado, levando analistas e investidores a apostarem em uma nova elevação — e não redução — das taxas de juros no curto prazo.
A retórica de Trump reacende temores de uma nova escalada protecionista e de uma crise de desconfiança na independência da autoridade monetária dos Estados Unidos. Analistas apontam que a promessa de suspender o comércio com parceiros estratégicos pode desestabilizar as cadeias globais de suprimentos e pressionar ainda mais a inflação interna, no exato momento em que o Fed tenta equilibrar o aquecimento econômico do país.
Foto: Evelyn Hockstein / Reuters / Arquivo
Redação – Thiago Salles