A disputa pelo poder nos bastidores da Fifa ganhou um novo capítulo e colocou a organização da Copa do Mundo de 2030 no centro de uma possível negociação política.
Segundo reportagem publicada pelo jornal britânico The Times, o presidente da Fifa, Gianni Infantino, teria oferecido ao Marrocos a possibilidade de sediar a final do Mundial de 2030 como parte de uma articulação para garantir apoio político à sua permanência no comando da entidade.
A eventual decisão teria como destino o estádio Hassan II, em Casablanca. O complexo esportivo está em construção e, quando concluído, deverá receber aproximadamente 115 mil torcedores, tornando-se um dos maiores estádios de futebol do planeta.
A Copa de 2030 será realizada conjuntamente por Espanha, Portugal e Marrocos. Como parte das celebrações pelo centenário do torneio, Argentina, Paraguai e Uruguai também receberão partidas da competição.
A possível negociação ocorre em um momento de forte pressão sobre Infantino. A liderança do dirigente vem enfrentando resistência principalmente entre federações europeias, enquanto a eleição para a presidência da Fifa, prevista para 2027, começa a movimentar alianças e disputas internas.
O Marrocos, por sua vez, é apontado como um dos países que mantêm uma relação próxima com Infantino. De acordo com a reportagem, o dirigente teria realizado reuniões com integrantes do governo marroquino em Rabat em busca de apoio e de articulações com outras associações nacionais de futebol.
A crise também envolve outras questões. Infantino vem sendo pressionado por diferentes federações, enquanto propostas e decisões relacionadas aos direitos comerciais da Copa do Mundo aumentaram as divergências dentro da entidade.
A reportagem do The Times ainda aponta que a pressão sobre o presidente da Fifa cresceu após ameaças de federações europeias de boicotar competições da entidade. Nesse cenário, a busca por aliados para a próxima eleição ganha importância estratégica.
Até o momento, porém, não há confirmação independente de que a final de 2030 tenha sido efetivamente prometida ao Marrocos como contrapartida por apoio político.
Nem a Fifa nem a Federação Real Marroquina de Futebol apresentaram, até a publicação da reportagem, um posicionamento público sobre as acusações.
O caso promete ampliar a pressão sobre Infantino e pode transformar a escolha do palco da final da Copa de 2030 em um dos assuntos mais delicados dos bastidores do futebol mundial.
Foto: REUTERS/Stringer
Redação – Ana Flavia