Bolsa despenca e dólar dispara após vitória de Lula: mercado cobra resposta sobre gastos.

Economia

O primeiro pregão após a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva terminou com perdas expressivas na Bolsa brasileira e forte valorização do dólar. Na segunda-feira, 26 de outubro, o Ibovespa recuou 13,88%, aos 176.357 pontos, enquanto a moeda americana encerrou o dia a R$ 5,403, com alta de 8,21%.

Durante a sessão, o dólar chegou a R$ 5,605. A intensidade das vendas na Bolsa levou ao acionamento do circuit breaker, mecanismo que interrompe temporariamente as negociações em momentos de queda acentuada.

Parte da turbulência é atribuída à necessidade de investidores desfazerem posições construídas na expectativa de vitória de Flávio Bolsonaro. Segundo analistas ouvidos pela BBC News Brasil, o resultado eleitoral provocou uma revisão das perspectivas para ações, câmbio e juros.

Jorge Ferreira dos Santos Filho, professor da ESPM, explica que havia apostas em uma condução econômica com maior rigor nas contas públicas. Com a confirmação de outro cenário, investidores passaram a recalcular os riscos e os preços dos ativos.

Luciano Sobral, economista-chefe da NEO Investimentos, também relaciona o movimento à mudança de expectativas. Para ele, a trajetória do mercado dependerá tanto das decisões do governo quanto da disposição de investidores estrangeiros para comprar ativos brasileiros.

Dólar e juros aumentam a pressão

A valorização da moeda americana pode encarecer produtos importados e pressionar a inflação. Caso esse movimento persista, poderá dificultar a continuidade dos cortes da taxa básica de juros.

Essa possibilidade, porém, é uma avaliação dos economistas, e não uma decisão anunciada pelo Banco Central. A evolução do câmbio e as sinalizações sobre a política fiscal serão importantes para os próximos passos.

Empresas exportadoras podem encontrar algum alívio no dólar mais alto, por receberem receitas em moeda estrangeira. Já negócios mais dependentes de crédito tendem a enfrentar dificuldades quando as taxas de financiamento sobem.

Escolha para a Fazenda entra no radar

Além das cotações, investidores acompanham as indicações para a equipe econômica e as propostas para receitas, despesas e dívida pública.

Geraldo Alckmin e Rafael Fonteles aparecem entre os nomes citados nas especulações sobre o Ministério da Fazenda. As avaliações sobre ambos são diferentes entre os especialistas, e a menção aos nomes não representa confirmação de escolha.

Para Cassio Viana de Jesus, diretor de investimento da Pilar Capital, a capacidade de construir apoio no Congresso e apresentar medidas para as contas públicas será decisiva para a percepção de risco.

O tamanho da queda de um único pregão não define, por si só, o desempenho de todo o próximo mandato. A duração da turbulência dependerá das medidas anunciadas e da reação dos investidores a elas.

Foto: Jean Carniel/Reuters
Redação – Thiago Salles

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