A disparada dos juros futuros após a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva trouxe um alerta para quem investe em renda fixa: taxas maiores para novas aplicações podem significar queda no valor dos títulos que já estão na carteira.
Na segunda-feira, 26 de outubro, contratos de juros de longo prazo registraram forte alta diante da revisão das expectativas dos investidores e das dúvidas sobre a condução das contas públicas. O movimento elevou a remuneração exigida pelo mercado para emprestar dinheiro por períodos mais longos.
Para os especialistas ouvidos pelo Estadão, o momento exige atenção à necessidade de resgate e cuidado com decisões tomadas durante a turbulência. As estratégias apresentadas, porém, não são iguais para todos.
Liquidez ganha espaço nas avaliações
Paulo Saad, sócio-fundador da WFlow Invest, defende esperar pelas sinalizações econômicas antes de agir por impulso. Aplicações pós-fixadas, que acompanham indicadores como Selic e CDI, aparecem entre as alternativas discutidas para atravessar o período de incerteza.
Gabriel Redivo, sócio e diretor de gestão da Aware Investments, também destaca a preservação de liquidez. A sugestão de manter uma parcela elevada da carteira disponível deve ser entendida dentro do perfil de cada investidor, sem transformar um percentual específico em regra geral.
Além do rendimento, é necessário verificar as condições de resgate. Um investimento vinculado ao CDI não oferece, obrigatoriamente, liquidez diária.
Taxa atraente não elimina o risco de perda na venda
Títulos prefixados e Tesouro IPCA+ podem oferecer remunerações maiores em momentos de estresse. Em contrapartida, seus preços oscilam antes do vencimento.
Quando as taxas de mercado sobem, o preço desses papéis tende a cair. Quem vende antecipadamente pode receber menos do que investiu. Essa atualização de preços é chamada de marcação a mercado.
Papéis com vencimentos mais distantes costumam apresentar maior sensibilidade às mudanças dos juros. Por isso, uma taxa elevada não torna o investimento adequado para dinheiro que poderá ser necessário em breve.
Laís Costa, analista de renda fixa da Empiricus, vê oportunidades em títulos longos ligados à inflação, mas reconhece a possibilidade de novas oscilações durante o caminho. A estratégia depende da capacidade de manter a aplicação pelo prazo planejado.
Proteção do FGC tem limites
Em produtos bancários elegíveis, como CDBs, LCIs e LCAs, a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos precisa entrar na avaliação.
O limite é de R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, por instituição ou conglomerado financeiro, considerando principal e rendimentos cobertos. Existe também um teto global de R$ 1 milhão em garantias pagas dentro de quatro anos. Bancos diferentes pertencentes ao mesmo conglomerado compartilham o limite.
A proteção não se estende a todos os investimentos. Antes de contratar, é importante conferir a cobertura, o emissor, o vencimento e as condições de saída.
O debate entre os especialistas mostra que a alta dos juros abre oportunidades, mas também aumenta os riscos de escolhas incompatíveis com o prazo e os objetivos de quem investe. As avaliações citadas são gerais e não representam uma recomendação individual de carteira.
Foto: Werther Santana/Estadão
Redação – Thiago Salles