Os planos de governo apresentados pelos seis candidatos mais bem posicionados nas pesquisas para a Presidência da República em 2026 apresentam pontos de convergência em pelo menos cinco áreas consideradas estratégicas para o país.
Lula (PT), Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão), Augusto Cury (Avante) e Romeu Zema (Novo) incluem propostas semelhantes para educação, saúde, infraestrutura, saneamento e enfrentamento ao crime organizado.
Embora existam diferenças importantes na forma como cada candidato pretende executar essas políticas, os documentos encaminhados à Justiça Eleitoral mostram que alguns temas aparecem de maneira recorrente.
Ensino em tempo integral aparece entre as prioridades
A ampliação das escolas em tempo integral é defendida pelos seis candidatos.
Lula coloca a expansão da modalidade como uma das prioridades de um eventual novo mandato. Flávio Bolsonaro também propõe ampliar o ensino integral e prevê a utilização das escolas durante períodos de férias para atividades esportivas e culturais.
Ronaldo Caiado defende a expansão especialmente em regiões consideradas vulneráveis, enquanto Renan Santos cita o modelo adotado no Ceará como referência para uma política nacional.
Augusto Cury associa o ensino integral ao desenvolvimento humano, com atividades culturais, esportivas e de convivência. Já Romeu Zema defende ampliar a oferta por meio de financiamento e parcerias com organizações privadas, condicionadas a critérios de qualidade e resultados.
Prontuário eletrônico unificado no SUS
Outro ponto comum está na digitalização da saúde pública.
Os seis programas defendem alguma forma de integração dos dados dos pacientes. A ideia geral é permitir que informações como consultas, exames, vacinas e prescrições possam ser acessadas de maneira integrada.
Lula propõe consolidar um prontuário único por meio da Rede Nacional de Dados em Saúde. Flávio Bolsonaro defende um sistema vinculado ao CPF e ao gov.br, com possibilidade de integração com a rede privada.
Caiado fala em um “SUS Digital”, enquanto Renan Santos propõe um sistema nacional interoperável. Augusto Cury destaca a digitalização como instrumento para melhorar a gestão e reduzir filas. Zema também prevê um registro nacional unificado, incluindo integração entre os sistemas público e privado.
Ferrovias ganham espaço nos programas
A expansão da malha ferroviária também aparece nos seis planos.
A proposta é aumentar a participação das ferrovias no transporte de cargas e reduzir a dependência das rodovias.
Lula menciona concessões e investimentos relacionados ao Novo PAC. Flávio Bolsonaro prevê investimentos de R$ 900 bilhões em logística e transporte ao longo de quatro anos e cita projetos como Ferrogrão e Transnordestina.
Caiado também inclui grandes projetos ferroviários entre as prioridades. Renan Santos estabelece como meta ampliar a malha em pelo menos 10 mil quilômetros, enquanto Augusto Cury propõe corredores estratégicos de exportação.
Zema defende novas concessões e a modernização da infraestrutura ferroviária para reduzir custos de transporte.
Saneamento básico reúne propostas semelhantes
O saneamento é outro dos assuntos em que há forte convergência.
Os candidatos defendem ampliar o acesso à água tratada e ao esgotamento sanitário, com diferentes estratégias de financiamento e participação do setor privado.
Lula cita investimentos públicos e ações do Novo PAC. Flávio Bolsonaro defende acelerar concessões e parcerias com empresas privadas.
Caiado propõe ampliar as parcerias público-privadas e acelerar as metas estabelecidas pelo Marco Legal do Saneamento. Renan Santos condiciona parte da liberação de recursos ao cumprimento de metas.
Augusto Cury coloca o saneamento como prioridade nacional dentro de um projeto mais amplo de urbanização. Zema defende o fortalecimento da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) na coordenação regulatória do setor.
Combate às facções tem concordância, mas estratégias diferentes
O enfrentamento ao crime organizado também aparece nos seis programas, embora seja justamente o tema em que as estratégias apresentam diferenças mais marcantes.
Lula defende manter uma política de asfixia financeira das organizações criminosas e ampliar a integração entre órgãos de segurança.
Flávio Bolsonaro propõe classificar facções e milícias como organizações narcoterroristas e ampliar o bloqueio de recursos utilizados pelos grupos.
Caiado defende classificar facções e milícias como terroristas domésticos e prevê participação das Forças Armadas no combate ao crime organizado.
Renan Santos apresenta uma proposta mais ampla de endurecimento penal, incluindo medidas relacionadas à perda de direitos políticos e civis de integrantes de organizações criminosas.
Augusto Cury aposta na integração entre União, estados e municípios e no combate às estruturas financeiras das facções. Zema também defende medidas de combate à lavagem de dinheiro e o enquadramento de organizações criminosas como terroristas.
Assim, os planos mostram convergência sobre a necessidade de enfrentar o crime organizado, mas apresentam diferenças substanciais quanto aos instrumentos jurídicos e operacionais que seriam utilizados.
Cinco temas, diferentes caminhos
Os documentos dos seis presidenciáveis apontam, portanto, para cinco áreas nas quais existem propostas semelhantes: educação integral, digitalização do SUS, expansão ferroviária, saneamento e combate às organizações criminosas.
A semelhança, porém, não significa que os candidatos apresentem programas idênticos. Em vários pontos, especialmente segurança pública, financiamento e participação da iniciativa privada, as estratégias previstas são distintas.
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REDAÇÃO – ANA FLÁVIA