Retaliação ou reunificação estratégica: o fim das Forças Democráticas Sírias e a nova era militar em Damasco.

Internacional

Em um dos desdobramentos geopolíticos mais expressivos e impactantes do Oriente Médio nos últimos anos, o comandante curdo Mazloum Abdi anunciou publicamente a dissolução oficial das Forças Democráticas Sírias (FDS) enquanto facção militar autônoma. A histórica decisão se concretiza após a conclusão da transição e integração formal dos combatentes curdos às fileiras operacionais do Exército sírio, atendendo às diretrizes pactuadas com o governo do presidente Ahmed al-Sharaa.

Criadas em 2015 no auge da guerra civil e com forte sustentação estratégica e logística dos Estados Unidos, as FDS tornaram-se o principal braço terrestre no combate e na posterior derrocada territorial do grupo extremista Estado Islâmico, consolidada em 2019. Na extensão máxima de seu domínio, a milícia reuniu um contingente estimado em 100 mil homens armados e manteve sob seu controle administrativo e militar grandes porções territoriais no norte e nordeste da Síria, região que concentra importantes campos petrolíferos e de recursos naturais.

O processo de desmobilização e assimilação foi selado no âmbito de um amplo acordo bilateral firmado no início do ano. Além da incorporação das brigadas armadas ao aparato de defesa nacional, o entendimento estabeleceu o gradual reingresso das estruturas institucionais e administrativas curdas aos órgãos estatais controlados por Damasco.

A medida põe fim a um ciclo de dez anos de autonomia militar nas zonas curdas, alterando drasticamente o equilíbrio de poder no mapa do país. Para o governo central sírio, a anexação representa um avanço decisivo no projeto de consolidação da soberania e reunificação territorial. Por outro lado, para a comunidade curda, marca a conclusão de uma era de autogestão bélica construída ao longo dos anos de enfrentamento direto contra o terrorismo internacional.

Foto: AFP / Getty Images

Redação – Thiago Salles

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