Um dos casos de erro judicial mais estarrecedores e graves da história da Justiça dos Estados Unidos teve seu desfecho definitivo após a libertação de Ricky Jackson, um homem que permaneceu preso injustamente por incríveis 39 anos. A revisão histórica do processo escancarou as falhas devastadoras do sistema carcerário e judiciário norte-americano, tornando Jackson o recordista de maior tempo cumprido em cárcere privado por um crime que jamais cometeu.
A condenação ocorreu no ano de 1975, quando Ricky ainda era um jovem de apenas 18 anos. Ele foi sentenciado à pena de morte sem que a acusação apresentasse qualquer tipo de prova física, pericial ou material que o vinculasse à cena do crime. Todo o veredito foi sustentado exclusivamente no depoimento de um garoto de 12 anos que, décadas mais tarde, tomou a coragem de revelar publicamente que havia sido brutalmente intimidado e coagido por agentes policiais a inventar a acusação contra o inocente.
Após passar quase quatro décadas encarcerado — grande parte delas sob o fantasma da execução iminente no corredor da morte —, a Justiça norte-americana anulou a sentença em 2014, concedendo-lhe a liberdade aos 57 anos de idade. Posteriormente, o estado determinou o pagamento de uma indenização de 2,9 milhões de dólares como compensação pelos danos infligidos a toda a sua trajetória.
Contudo, Ricky Jackson ressalta categoricamente que montante financeiro algum é capaz de devolver o tempo e os momentos perdidos de sua juventude e vida familiar. Hoje, livre e com a inocência plenamente provada, ele dedica seu tempo e voz à militância pública contra os abusos de autoridade e em prol de reformas estruturais para combater as falhas do sistema penal.
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Redação – Thiago Salles