As autoridades israelenses confirmaram, nesta segunda-feira (13/10), a conclusão da libertação de 1.968 prisioneiros palestinos, em cumprimento ao acordo de troca de reféns firmado durante as negociações de cessar-fogo em Gaza. A medida foi intermediada por Egito, Catar e Estados Unidos, como parte do plano internacional de pacificação do conflito.
De acordo com o Serviço Prisional de Israel, os detentos foram transferidos para Jerusalém Oriental, Cisjordânia e Faixa de Gaza. O governo israelense destacou que o acordo previa a soltura de cerca de 2 mil palestinos, incluindo alguns líderes de facções armadas e condenados por atentados, em troca da libertação de reféns israelenses — vivos e mortos — mantidos pelo Hamas desde 2023.
Libertação sob forte escolta
Imagens divulgadas por agências internacionais mostram ônibus lotados de palestinos deixando a prisão de Ofer, na Cisjordânia, sob forte vigilância militar. Em Khan Younis, no sul de Gaza, centenas de pessoas se reuniram para receber os libertados, que acenaram das janelas enquanto atravessavam as ruas sob aplausos.
Segundo o jornal Haaretz, o grupo de libertados inclui 22 menores de idade, além de 360 corpos que devem ser repatriados a Gaza como parte do acordo.
Quem são os prisioneiros
O Ministério da Justiça israelense divulgou uma relação oficial com 250 nomes de detentos liberados nesta etapa, entre eles:
- Iyad Abu al-Roub (51 anos) – acusado de liderar a Jihad Islâmica na região de Jenin e condenado por um ataque suicida em 2005;
- Muhammad Abu al-Roub (26 anos) – detido em 2017 pelo assassinato de um cidadão israelense em Kfar Qasim;
- Mahmoud Issa (57 anos) – integrante do Hamas, preso desde 1993 pelo sequestro e morte de um policial israelense;
- Mahmoud Qawasmeh – considerado um dos estrategistas do Hamas, libertado após nova detenção em 2024;
- Baher Bader – condenado por atentados em 2004 que deixaram 18 mortos;
- Muhammad Zakarneh – envolvido no assassinato de um motorista israelense em 2009.
A distribuição dos libertados, segundo fontes oficiais, foi a seguinte: 159 do Fatah, 63 do Hamas, 16 da Jihad Islâmica e 12 sem filiação política definida.
Nomes que ficaram de fora
Nem todos os prisioneiros exigidos pelo Hamas foram incluídos. Figuras históricas como Marwan Barghouti (Fatah) e Ahmad Sa’adat (Frente Popular para a Libertação da Palestina) continuam presos. Também não foram libertos o pediatra Hussam Abu Safiya, acusado por Israel de colaboração com o Hamas, e o médico Marwan Al Hams, diretor de hospitais de campanha em Gaza.
Ambos permanecem detidos, segundo o Ministério da Saúde palestino e a ONG Physicians for Human Rights, que denuncia más condições carcerárias e detenções sem julgamento.
Impasse político e reações
A libertação dos prisioneiros ocorre em meio a uma trégua frágil. Nos bastidores, países árabes aliados dos EUA pressionam por um acordo mais amplo que envolva a reconstrução de Gaza e a formação de um novo governo palestino, sem a participação do Hamas.
Em Israel, o tema divide opiniões. Setores conservadores criticam o governo, alegando que acordos anteriores resultaram na volta de líderes extremistas ao cenário militar, como o ex-líder do Hamas Yahya Sinwar, libertado em 2011 e morto em 2024 em uma operação das forças israelenses.
Mesmo assim, o acordo foi classificado por analistas como um passo decisivo para estabilizar a região, ainda que o clima de desconfiança persista entre israelenses e palestinos
Foto: OMAR AL-QATTAA / AFP