“Provocação deliberada”: Gleisi Hoffmann detona clã Bolsonaro após Flávio ler carta de ex-presidente em prisão domiciliar.

Política

A leitura pública de uma carta escrita pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, realizada por seu filho, o senador Flávio Bolsonaro, provocou uma reação imediata e contundente no cenário político nacional. A deputada federal Gleisi Hoffmann, presidente nacional do Partido dos Trabalhadores (PT), classificou o episódio como uma “provocação deliberada” e uma afronta direta às restrições jurídicas impostas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na prisão domiciliar do ex-mandatário.

A polêmica resultou em uma dura sanção por parte do ministro Alexandre de Moraes, que suspendeu por 90 dias as visitas de Flávio Bolsonaro ao pai. Na decisão, o magistrado considerou que o senador utilizou o direito de visita familiar para fins estritamente políticos e eleitorais. A restrição de visitas se estenderá até o dia 11 de outubro, afetando diretamente a coordenação política do clã até o encerramento do primeiro turno das eleições de 2026.

Gleisi Hoffmann foi enfática ao rejeitar os argumentos de aliados bolsonaristas que tentaram comparar a divulgação do texto com as cartas e mensagens enviadas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante seu período de reclusão em Curitiba. “Em tempo: Lula não tinha nenhuma medida cautelar a seu favor [no sentido de proibição de comunicação externa]. Enfrentou a prisão injusta com dignidade e altivez”, argumentou a deputada em suas redes sociais. Ela ainda completou com fortes críticas à conduta de Jair Bolsonaro: “Sabiam que era ilegal. Fizeram para confrontar. Assim como as armas que não poderia ter e a tornozeleira que tentou arrebentar. Boa a medida de Alexandre de Moraes que suspendeu as visitas ao golpista. Ele que se comporte, ou que volte para a Papuda”.

O documento lido por Flávio Bolsonaro o posicionava publicamente como o “porta-voz” oficial do ex-presidente, além de sugerir sua própria candidatura ao Executivo e convocar a união de apoiadores. A manifestação foi interpretada pela corte como possível propaganda eleitoral antecipada, o que levou Moraes a encaminhar o caso para análise da Procuradoria-Geral Eleitoral (PGE), sob a advertência de que o descumprimento continuado das medidas cautelares pode resultar na regressão da pena de Bolsonaro para o regime fechado. Paralelamente, o deputado Lindbergh Farias acionou o STF solicitando a revogação da prisão domiciliar do ex-presidente e a aplicação de uma multa de R$ 100 mil pelo uso político da carta.

Foto: PT / Divulgação / Redação – Thiago Salles

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