A escalada militar no Oriente Médio atingiu um novo e alarmante patamar de agressividade. A Guarda Revolucionária Islâmica do Irã confirmou o disparo de mísseis balísticos contra uma base aérea das forças dos Estados Unidos localizada em território jordaniano. O ataque foi acompanhado de um apelo direto de Teerã para que a população da Jordânia pressione pelo desmantelamento das instalações americanas no reino. Por sua vez, as Forças Armadas da Jordânia relataram que seus sistemas de defesa interceptaram e abateram com sucesso quatro projéteis que violaram seu espaço aéreo.
A ofensiva iraniana ocorreu poucas horas após o Comando Central dos EUA (Centcom) concluir a sua terceira noite consecutiva de bombardeios estratégicos contra o território do Irã, sob ordens diretas do presidente Donald Trump. As incursões aéreas americanas duraram cerca de cinco horas, atingindo diversas cidades iranianas e deixando pelo menos quatro pessoas feridas. A Casa Branca adotou uma postura intransigente: além de anunciar a imposição de um bloqueio naval total a portos e terminais petrolíferos na costa iraniana, Trump lançou a controversa proposta de criar uma tarifa obrigatória de 20% sobre toda a carga de petróleo e gás que transitar pelo estratégico Estreito de Ormuz, autoproclamando os EUA como o “Guardião do Estreito”.
A reação de Teerã e da comunidade internacional às exigências comerciais americanas foi imediata. O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, ironizou a proposta de pedágio no X (antigo Twitter), afirmando que a taxa era absurda, mas assegurando que o Irã continuará sendo o verdadeiro tutor histórico daquela via navegável. A Organização Marítima Internacional (ONU) também se manifestou contrária ao projeto de Trump, ressaltando a completa ausência de base legal para taxar o tráfego em estreitos de livre navegação global. O impasse provocou reflexos imediatos nos mercados globais de energia, fazendo com que os preços do petróleo subissem quase 3%, alcançando a maior cotação em quatro semanas devido ao temor de interrupções logísticas no fluxo de combustíveis.
A situação é ainda mais crítica dentro do próprio estreito de Ormuz, onde mísseis de cruzeiro iranianos danificaram dois navios petroleiros pertencentes aos Emirados Árabes Unidos enquanto navegavam por águas de Omã. A Guarda Revolucionária justificou o ataque alegando que os superpetroleiros operavam em rotas consideradas ilegais e com os sistemas de rastreamento desligados. O Centro Conjunto de Informações Marítimas, liderado pela Marinha norte-americana, confirmou que as restrições e vistorias sobre as embarcações com destino ao Irã já estão plenamente em vigor, mantendo a região em estado de alerta máximo desde o início das hostilidades diretas em fevereiro.
Foto: REUTERS/Stringer / Redação – Thiago Salles