A Câmara dos Deputados decidiu nesta quarta-feira (10) aplicar uma suspensão de seis meses ao deputado federal Glauber Braga (PSOL-RJ), substituindo a cassação que havia sido sugerida pelo Conselho de Ética. A decisão ocorreu após uma articulação intensa conduzida pelo governo e reuniu 318 votos favoráveis, 141 contrários e três abstenções.
Braga era alvo de representação por ter agredido, no ano passado, o então integrante do Movimento Brasil Livre (MBL), Gabriel Costenaro, durante um confronto ocorrido dentro da própria Câmara. O deputado afirmou em seu discurso que reagiu após, segundo ele, Costenaro insinuar ofensas envolvendo sua mãe, Saudade Braga, que estava gravemente enferma e faleceu poucos dias depois do episódio.
A vaga do parlamentar será ocupada temporariamente pela ex-senadora Heloísa Helena (Rede-RJ), que assume o mandato durante o período de suspensão.
A manobra política que evitou a cassação teve à frente o líder do governo, José Guimarães (PT-CE), que buscou convencer parlamentares a votarem por uma punição mais branda. Segundo lideranças do PSOL, as conversas se prolongaram durante toda a manhã, refletindo o desconforto de parte da base do Centrão em aprovar a perda definitiva do mandato.
A votação que priorizou a análise da suspensão em detrimento do relatório original – que recomendava a cassação – foi apertada: 226 votos a favor e 220 contra. O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), demonstrou irritação com o resultado, classificando-o como inesperado e criticando a interferência do governo.
Mais cedo, Glauber ocupou simbolicamente a cadeira da Presidência da Câmara e precisou ser retirado pela Polícia Legislativa. No plenário, discursou por 25 minutos em defesa do próprio mandato, afirmando que suas atitudes foram motivadas por proteção à família.
O caso reacendeu debates sobre excessos cometidos por parlamentares ao longo dos anos. O relator do processo, Paulo Magalhães (PSD-BA), inclusive já protagonizou um episódio semelhante em 2001, quando agrediu um jornalista dentro da Casa — fato que, à época, não resultou em punições formais.
Foto: Wilton Junior
Redação Brasil News