O governo dos Estados Unidos anunciou uma proposta que pode impactar diretamente as exportações brasileiras. A iniciativa prevê a aplicação de novas tarifas sobre produtos importados de cerca de 60 economias sob a justificativa de reforçar o combate ao trabalho forçado em cadeias de produção internacionais.
De acordo com autoridades comerciais americanas, os países foram divididos em categorias conforme os mecanismos adotados para impedir a entrada de mercadorias associadas a práticas consideradas irregulares. O Brasil foi incluído no grupo sujeito à alíquota adicional mais elevada, de 12,5%.
Segundo o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), a proposta busca incentivar governos estrangeiros a fortalecer sistemas de fiscalização e controle sobre produtos produzidos em condições de trabalho consideradas inadequadas. O órgão afirma que a ausência dessas medidas pode gerar concorrência desleal para trabalhadores e empresas norte-americanas.
Além do Brasil, países como China, Índia, Japão, Coreia do Sul, Rússia, Arábia Saudita, Austrália, Chile, Israel e Vietnã também foram incluídos na faixa tarifária mais alta. Já economias que possuem legislações específicas ou acordos voltados ao combate do trabalho forçado ficaram sujeitas a uma tarifa menor, de 10%.
O anúncio amplia a preocupação entre exportadores brasileiros, especialmente porque a nova cobrança poderá ser somada a outras tarifas já discutidas anteriormente entre os dois países. Representantes do setor produtivo acompanham o tema com atenção, avaliando possíveis impactos sobre a competitividade dos produtos nacionais no mercado norte-americano.
Especialistas em comércio exterior observam que, caso a proposta avance, diversos segmentos exportadores poderão enfrentar aumento de custos e redução de margem de lucro nas operações com os Estados Unidos. O tema deve continuar sendo debatido nas próximas semanas entre autoridades diplomáticas e representantes empresariais.
Foto: Alex Brandon/AP
Redação – Thiago Salles