A proposta de criar áreas oficialmente protegidas da exploração de petróleo, gás natural e outros combustíveis fósseis ganhou novo impulso no cenário internacional. O tema foi um dos destaques da Conferência sobre a Transição para Longe dos Combustíveis Fósseis, realizada na Colômbia, reunindo representantes de dezenas de países interessados em acelerar medidas de combate às mudanças climáticas.
Conhecidas como zonas livres de combustíveis fósseis, essas áreas têm como objetivo impedir novas atividades de exploração e infraestrutura ligada ao setor em regiões consideradas estratégicas para a conservação ambiental, da biodiversidade e dos povos tradicionais.
Especialistas defendem que a iniciativa oferece uma medida prática para que governos avancem na transição energética. Em vez de depender exclusivamente de grandes investimentos em novas fontes de energia, muitos países poderiam utilizar legislações já existentes para ampliar a proteção de áreas ambientalmente sensíveis.
Estudos recentes também reforçam a preocupação. Levantamentos apontam que milhões de hectares de florestas tropicais na Amazônia, na Bacia do Congo e no Sudeste Asiático ainda estão sobrepostos a blocos destinados à exploração de petróleo e gás, aumentando os riscos para ecossistemas considerados essenciais no combate ao aquecimento global.
Na América Latina, alguns países já adotaram medidas concretas. Belize mantém restrições à exploração de petróleo em alto-mar, enquanto a Costa Rica prorrogou sua moratória sobre atividades relacionadas aos combustíveis fósseis até 2050. A Colômbia também anunciou limitações para novos projetos de exploração em áreas da Amazônia e reconheceu parte da Sierra Nevada de Santa Marta como território livre desse tipo de atividade.
Apesar dos avanços, especialistas alertam que transformar essas medidas em realidade continua sendo um grande desafio. A dependência econômica da exploração de petróleo, mudanças de governo e dificuldades na fiscalização ainda representam obstáculos para a consolidação dessas políticas.
Outro ponto considerado decisivo é garantir que essas zonas tenham respaldo legal permanente, reduzindo o risco de que futuras administrações revertam as decisões já adotadas.
Enquanto a comunidade internacional prepara novos debates para a próxima Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP31), ambientalistas defendem que a criação dessas áreas protegidas seja tratada como uma das estratégias mais concretas para reduzir emissões de gases de efeito estufa e preservar biomas fundamentais para o equilíbrio climático mundial.
Foto: Dialogue Earth / Divulgação
Redação – Ana Flavia