Após meses de intensas negociações, a Faixa de Gaza vive seus primeiros dias de trégua. O acordo internacional, assinado no último fim de semana no Egito com mediação do ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump, colocou fim formal à guerra entre Israel e o Hamas — mas a paz definitiva ainda depende da execução de etapas sensíveis previstas no plano.
O cessar-fogo entrou em vigor na sexta-feira (10/10) e, desde então, os combates cessaram totalmente no território palestino. Já na segunda-feira (13/10), começou a primeira fase do pacto: a troca de reféns israelenses por prisioneiros palestinos.
Segundo fontes oficiais, 20 reféns sequestrados pelo Hamas em 7 de outubro de 2023 foram libertados e retornaram a Israel. Em contrapartida, o governo israelense liberou cerca de 2 mil prisioneiros palestinos.
Apesar do avanço, ainda há pontos críticos pendentes. O acordo determina que o Hamas deve devolver 24 corpos de reféns mortos, mas apenas quatro foram entregues até o momento. O grupo afirma que enfrenta dificuldades para localizar os cadáveres entre os escombros deixados pelos bombardeios.
Primeiras tensões após o acordo
A demora na devolução dos corpos já gerou atritos entre as partes. O ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, classificou o atraso como uma “violação grave” do acordo e advertiu que qualquer descumprimento pode resultar em retaliações militares.
“Qualquer omissão intencional será tratada como quebra do compromisso e responderemos à altura”, afirmou o ministro em comunicado publicado na rede X (antigo Twitter).
Próximos passos do plano de paz
O documento assinado por Trump estabelece uma série de etapas progressivas:
- Desmilitarização do Hamas e entrega de armamentos;
- Anistia ou refúgio internacional para combatentes que aceitarem se render;
- Retirada gradual das tropas israelenses da Faixa de Gaza;
- Criação de uma Força Internacional Temporária (FIE) para estabilização do território;
- Formação de um novo governo local, sem participação do Hamas.
Esses pontos, porém, só serão debatidos oficialmente após a conclusão da primeira fase da trégua — a devolução completa dos corpos e o cumprimento das trocas humanitárias.
Papel internacional e desafios
O acordo contou com apoio político e logístico de Egito, Catar e Turquia, além da supervisão direta de observadores norte-americanos. Apesar do tom otimista de Trump, que declarou ter “alcançado o impossível”, diplomatas alertam que o cenário em Gaza continua frágil e imprevisível.
Especialistas apontam que o sucesso da trégua dependerá da cooperação mútua e da pressão internacional para que ambas as partes cumpram os 20 pontos do plano. Sem isso, o cessar-fogo pode se tornar apenas uma pausa temporária em décadas de conflito.
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