O cenário político do sul do país foi chacoalhado por uma reviravolta pragmática que redefine as alianças para as eleições de 2026. O ex-ministro e ex-juiz Sergio Moro lançou oficialmente sua pré-candidatura ao governo do Paraná pelo PL, nesta sexta-feira (29), em um evento conjunto em Curitiba que contou com a presença de destaque do senador Flávio Bolsonaro. A união dos dois nomes no mesmo palanque sela um pacto político de conveniência que ignora por completo o histórico de denúncias devastadoras desfechadas pelo próprio Moro contra o clã Bolsonaro há seis anos.
A memória dos bastidores dessa relação expõe o tamanho da guinada. Em maio de 2020, logo após pedir demissão do Ministério da Justiça, Moro disparou acusações contundentes em entrevistas e depoimentos oficiais, afirmando que o então presidente Jair Bolsonaro havia realizado manobras jurídicas deliberadas para blindar Flávio Bolsonaro. Segundo Moro, o ex-presidente ignorou as recomendações técnicas da pasta e evitou vetar trechos polêmicos do Pacote Anticrime para enfraquecer as prisões preventivas e limitar delações premiadas, interferindo diretamente para salvar o filho das investigações do esquema de corrupção das “rachadinhas” na Alerj.
Na época, Moro também denunciou que sua saída do governo foi motivada por uma tentativa de Bolsonaro de aparelhar e controlar a Polícia Federal, exigindo a troca de comando na superintendência do Rio de Janeiro para abafar os escândalos da família. Agora, em 2026, o discurso de combate à corrupção deu lugar à engenharia eleitoral. A nova chapa do PL paranaense unificou Moro e Flávio no mesmo projeto, trazendo ainda os nomes de Deltan Dallagnol e Filipe Barros como pré-candidatos ao Senado. Questionado de forma incisiva pela imprensa sobre o passado de denúncias e o controle da PF, Moro esquivou-se das respostas, adotando uma postura defensiva para blindar seu novo aliado e focar os ataques exclusivamente no atual governo federal.
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Redação – Thiago Salles