Fato ou Fake? Postagens culpam Haddad por fuga de 232 empresas para o Paraguai, mas dado soma quase 20 anos.

Economia

Uma onda de publicações que já soma mais de 100 mil interações nas redes sociais como Instagram, Facebook, X e Kwai vem espalhando desinformação ao tentar culpar o ex-ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), por uma suposta “fuga em massa” de indústrias nacionais. Os posts replicam a foto do ex-ministro junto à frase: “Mais de 232 empresas já fugiram para o Paraguai expondo o desastre tributário brasileiro”, apelidando o político de “Taxade”. No entanto, uma checagem minuciosa dos fatos revela que o dado foi completamente tirado de contexto para criar uma narrativa política falsa.

A origem do número é um levantamento real publicado pelo site Poder360 em 23 de maio de 2026, baseado em dados oficiais do governo paraguaio e da Câmara de Empresários Brasileiros no Paraguai. A distorção está na linha do tempo: o montante de 232 empresas não migrou durante a gestão de Haddad (que comandou a Fazenda entre janeiro de 2023 e março de 2026), mas sim ao longo de quase duas décadas, englobando o período de 2007 a março de 2026. O verdadeiro auge dessa tendência de migração nem sequer ocorreu no atual governo, tendo sido registrado entre os anos de 2017 e 2020, durante as gestões de Michel Temer e Jair Bolsonaro.

A reportagem original também desmente a tese de que essas marcas “fugiram” e fecharam suas portas no Brasil. Na realidade, a maioria abriu subsidiárias ou transferiu apenas parte de suas linhas de produção para aproveitar os incentivos da Lei de Maquila — legislação paraguaia criada em 1997 e ampliada pela Lei nº 7547/2025 (regulamentada em abril de 2026) que oferece impostos drasticamente reduzidos e custos trabalhistas mais baixos. Embora o início do governo Lula em 2023 tenha registrado um salto de 26 para 34 empresas migrantes, impulsionado também pelo alinhamento ideológico de empresários ao governo de direita do presidente paraguaio Santiago Peña, atribuir o acumulado histórico a Haddad é uma manipulação grosseira da realidade.

Foto: Reprodução / Redes Sociais

Redação – Thiago Salles

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