O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a lançar incertezas sobre o futuro político do Irã ao comentar, de forma ambígua, o papel da oposição iraniana no exterior. Durante entrevista concedida à Reuters, no Salão Oval da Casa Branca, Trump afirmou que Reza Pahlavi “parece uma pessoa agradável”, mas demonstrou dúvidas quanto à sua capacidade de liderar uma eventual transição de poder em Teerã.
Segundo o presidente norte-americano, embora exista a possibilidade de colapso do regime clerical iraniano diante dos protestos, ainda não está claro se o país aceitaria uma liderança vinda do exílio. “Não sabemos se ele teria apoio real dentro do Irã. Ainda não chegamos a esse ponto”, sinalizou Trump, ao evitar um endosso direto ao opositor.
Reza Pahlavi, filho do último xá iraniano deposto na Revolução Islâmica de 1979, vive fora do país há décadas e ganhou visibilidade internacional ao se posicionar publicamente contra o atual governo. No entanto, a oposição iraniana permanece fragmentada, dividida entre correntes ideológicas e grupos rivais, com baixa articulação interna.
Analistas internacionais avaliam que, apesar da projeção de Pahlavi entre parte dos manifestantes, sua força política dentro do Irã é difícil de medir. Especialistas ligados à Chatham House destacam que nenhuma figura de oposição conseguiu, até agora, consolidar uma liderança capaz de mobilizar o país de forma ampla.
Trump também ponderou que qualquer governo pode ruir diante de crises prolongadas, mas evitou previsões categóricas. Para ele, o cenário iraniano segue imprevisível e tende a se tornar ainda mais volátil nos próximos meses.
Além da política externa, o presidente aproveitou a entrevista para defender o desempenho da economia americana e preparar o discurso que levará ao Fórum Econômico Mundial, em Davos, onde pretende reforçar a imagem de força econômica dos Estados Unidos, mesmo em meio a desafios políticos internos e à aproximação das eleições legislativas.
Foto: Evelyn Hockstein / Reuters
Redação Brasil News