A Rússia elevou o tom contra o Japão nesta sexta-feira (18) ao exigir a retirada dos sistemas de mísseis Typhon, dos Estados Unidos, instalados em território japonês durante exercícios militares conjuntos realizados neste mês. A cobrança foi feita pela porta-voz do Ministério das Relações Exteriores russo, Maria Zakharova, segundo a agência estatal TASS e a Reuters.
Moscou afirma que a presença do equipamento norte-americano em território japonês representa uma ameaça direta à segurança russa e diz ter formalizado uma nota de protesto em 3 de setembro. Zakharova declarou que Tóquio deveria tratar a manifestação russa “com muita seriedade”.
O Typhon é um sistema móvel de lançamento terrestre desenvolvido pelos Estados Unidos e capaz de utilizar diferentes tipos de armamento, entre eles mísseis SM-6 e Tomahawk. O equipamento amplia o alcance ofensivo das forças americanas e tem sido utilizado em exercícios no Indo-Pacífico como parte da estratégia de reforço militar dos EUA na região.
A implantação ocorreu durante manobras militares que envolveram Japão, Estados Unidos e Austrália. A Rússia já havia protestado anteriormente contra os exercícios e agora passou a exigir explicitamente que o sistema seja removido do território japonês.
Disputa territorial agrava clima entre Moscou e Tóquio
A questão dos mísseis se soma a uma escalada diplomática recente entre Rússia e Japão.
Os dois países voltaram a trocar protestos depois de uma rara visita do presidente russo, Vladimir Putin, a uma ilha controlada por Moscou e reivindicada por Tóquio. A região faz parte do arquipélago conhecido na Rússia como Curilas do Sul e, no Japão, como Territórios do Norte.
A disputa remonta ao fim da Segunda Guerra Mundial e segue sem solução definitiva. O impasse territorial é um dos motivos pelos quais Rússia e Japão nunca assinaram formalmente um tratado de paz definitivo após o conflito.
O novo episódio adiciona uma dimensão militar à tensão já existente. Para Moscou, a instalação de sistemas americanos de médio alcance tão próximos de seu território altera o equilíbrio regional. Para Estados Unidos e Japão, os exercícios fazem parte da cooperação de defesa no Indo-Pacífico e da preparação diante de potenciais ameaças regionais.
Até o momento, não há indicação de que o Japão tenha aceitado retirar o sistema em resposta à exigência russa.
A pressão de Moscou ocorre em um momento de intensificação da competição militar no Pacífico, onde Estados Unidos, Japão, Rússia e China ampliam presença, exercícios e capacidades estratégicas.
Foto: Anastasia Barashkova/Reuters –
Redação – Thiago Salles