Republicanos em disputas apertadas se afastam de Trump antes das eleições de novembro nos EUA.

Internacional

Candidatos republicanos envolvidos nas disputas mais apertadas pelas eleições de meio de mandato dos Estados Unidos estão adotando estratégias para reduzir a associação direta com o presidente Donald Trump.

Uma análise publicada pela Reuters nesta quarta-feira, 7 de outubro, apontou que candidatos em 41 das 62 disputas consideradas competitivas pela Câmara dos Deputados e pelo Senado apresentaram algum tipo de afastamento em relação ao presidente.

Isso equivale a aproximadamente dois terços das corridas eleitorais analisadas.

O levantamento considerou registros de votação, declarações públicas, materiais de campanha e posicionamentos adotados pelos candidatos ao longo do processo eleitoral.

Na maioria dos casos, o afastamento não representa uma ruptura completa com Trump.

Os candidatos continuam apoiando partes importantes da agenda republicana, mas passaram a divergir em temas específicos ou a reduzir a exposição da relação com o presidente.

Divergências aparecem em temas específicos

As diferenças políticas foram o tipo mais comum de afastamento identificado pela Reuters.

Em 23 das 62 disputas, candidatos republicanos se posicionaram de maneira diferente de Trump em pelo menos uma questão relevante.

Entre os temas que mais provocaram divergências está o conflito envolvendo o Irã.

Em 12 disputas, republicanos em situação eleitoral competitiva defenderam limitações aos poderes de guerra do presidente ou pediram publicamente uma redução das hostilidades.

A guerra também passou a ter impacto econômico interno, principalmente devido ao aumento dos preços de combustíveis e de outros custos enfrentados pelos consumidores.

Outro tema de divergência envolve a expansão de centros de dados destinados à inteligência artificial.

A Reuters identificou candidatos republicanos que criticaram ou tentaram retardar novos projetos mesmo diante do apoio do governo Trump à expansão acelerada desse tipo de infraestrutura.

Nome e imagem de Trump desaparecem de campanhas

O levantamento também identificou mudanças na maneira como alguns candidatos apresentam sua relação com o presidente.

Pelo menos 12 candidatos removeram o nome, a imagem ou referências ao apoio de Trump de seus sites de campanha, principalmente depois de vencerem as eleições primárias do Partido Republicano.

Outros evitaram participar de eventos com o presidente ou deixaram de responder diretamente se gostariam de contar com Trump em seus palanques.

As críticas abertas ao presidente, porém, continuam relativamente raras.

A estratégia predominante é manter apoio à agenda republicana ao mesmo tempo em que os candidatos tentam construir uma imagem mais independente em seus estados e distritos eleitorais.

Aprovação de Trump está em 32%

O movimento acontece em um momento de baixa aprovação do presidente.

Pesquisa Reuters/Ipsos concluída em 5 de outubro mostrou que 32% dos norte-americanos aprovavam a atuação de Trump, índice que igualou o menor nível registrado durante sua trajetória política.

Entre os eleitores registrados, 44% disseram preferir candidatos democratas para o Congresso, contra 37% que escolheriam republicanos.

Entre os eleitores independentes, grupo considerado particularmente importante nas disputas mais equilibradas, os democratas apareciam com 37%, enquanto os republicanos registravam 21%.

Os números ajudam a explicar por que candidatos republicanos de regiões competitivas estão tentando equilibrar a mobilização da base conservadora com a busca por votos independentes.

Republicanos tentam encontrar equilíbrio

O senador republicano Pete Ricketts, de Nebraska, é um dos exemplos citados no levantamento.

Ricketts criticou a proposta de Trump de ampliar as importações de carne bovina, mas continuou demonstrando apoio ao presidente em outras áreas e chegou a participar de um comício ao lado dele.

Situação semelhante ocorre com a deputada Mariannette Miller-Meeks, de Iowa.

Ela criticou a política de importação de carne adotada pelo governo e votou a favor de limitar os poderes presidenciais no conflito com o Irã.

Pouco tempo depois, porém, participou de um evento na Casa Branca ao lado de Trump para anunciar investimentos em uma siderúrgica em Iowa.

A postura ilustra a estratégia adotada por parte dos candidatos republicanos: divergir em questões consideradas sensíveis localmente sem abandonar completamente o presidente.

Assessores ouvidos pela Reuters afirmaram que a tentativa de estabelecer alguma distância está relacionada principalmente à necessidade de conquistar eleitores independentes.

Congresso está em jogo

As eleições de meio de mandato serão realizadas em 3 de novembro de 2026 e definirão a composição da Câmara dos Deputados e parte do Senado.

O resultado será decisivo para saber se o Partido Republicano conseguirá manter o controle de uma ou das duas casas do Congresso.

Trump continua sendo a principal liderança nacional do partido e mantém forte influência entre o eleitorado republicano.

Ao mesmo tempo, o cenário eleitoral está obrigando candidatos de estados e distritos competitivos a adaptar suas campanhas às condições locais.

A estratégia observada pela Reuters mostra que, a poucas semanas das eleições, parte do Partido Republicano tenta conciliar duas necessidades: manter o apoio dos eleitores mais alinhados a Trump e conquistar votos de independentes que demonstram maior resistência ao presidente.

Foto: Jonathan Ernst/Reuters –
Redação – Thiago Salles

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