As ações do Banco do Brasil (BBAS3) registraram uma forte queda de quase 30% no primeiro pregão após a confirmação da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mantendo viés negativo nas sessões seguintes. O forte recuo dos papéis reflete a leitura do mercado financeiro de que a conjuntura macroeconômica exigirá a manutenção de taxas de juros elevadas por um período mais prolongado, impulsionada pela perspectiva de menor amplitude nos ajustes fiscais do governo federal.
Com o movimento de desvalorização, a ação BBAS3 acumula uma perda expressiva de 24,49% ao longo do mês de outubro e recuo de 19% no acumulado do ano. Além das incertezas fiscais que pressionaram a curva de juros futuros para 2028, analistas de investimentos apontam que a atenção do mercado se deslocou para os fundamentos operacionais da instituição, em especial a deterioração da qualidade de crédito na carteira rural do banco estatal.
Projeções divulgadas pelo BTG Pactual indicam que o Banco do Brasil poderá apresentar uma queda de até 50% no seu lucro líquido do terceiro trimestre em comparação ao período anterior, atingindo aproximadamente R$ 1,9 bilhão. O principal gargalo decorre da inadimplência no agronegócio — setor que representa mais de 30% do portfólio total de empréstimos do BB. A pontualidade nos pagamentos dos produtores rurais recuou para a casa dos 75%, aumentando as exigências de provisão para devedores duvidosos e reduzindo o retorno estimado em dividendos.
Apesar de os papéis estarem sendo negociados com múltiplos historicamente descontados em relação ao valor patrimonial, casas de análise recomendam cautela ao investidor, sinalizando preferência por ativos de menor exposição ao crédito agrícola ou índices diversificados até que o governo sinalize diretrizes fiscais mais claras para os próximos anos.
Foto: Divulgação / B3
Redação – Thiago Salles