O presidente da Rússia, Vladimir Putin, elevou o tom nesta quarta-feira (17) ao afirmar que Moscou buscará expandir seus avanços territoriais na Ucrânia caso o governo ucraniano e seus aliados ocidentais rejeitem as condições impostas pelo Kremlin para encerrar o conflito. A declaração foi feita durante a reunião anual do Conselho do Ministério da Defesa, em Moscou, diante dos principais líderes militares do país.
Putin descartou a possibilidade de aceitar propostas alternativas de paz e reiterou que a Rússia afirma preferir alcançar seus objetivos por vias diplomáticas. No entanto, segundo ele, se não houver abertura para um diálogo que considere as exigências russas, o país seguirá recorrendo à força militar para alcançar o que chamou de “recuperação de terras históricas”.
O presidente voltou a listar aquilo que Moscou define como as “causas profundas” da guerra, entre elas as aspirações da Ucrânia de integrar a União Europeia e a OTAN, além de acusações de discriminação contra russos étnicos e da chamada “desnazificação” do país vizinho — argumentos usados desde o início da invasão, em fevereiro de 2022.
Em seu discurso, Putin direcionou duras críticas ao Ocidente, responsabilizando governos europeus e a antiga administração dos Estados Unidos pelo conflito. Segundo ele, potências ocidentais teriam apostado no enfraquecimento e até no colapso da Rússia. O presidente utilizou linguagem ofensiva ao se referir a líderes europeus, acusando-os de degradação política e moral.
Apesar do tom agressivo, Putin afirmou que a Rússia mantém disposição para dialogar com Washington e disse esperar que, no futuro, a Europa também retome negociações com Moscou, ainda que considere improvável esse movimento sob as atuais lideranças do continente.
No campo militar, o presidente russo fez questão de exaltar o poder das Forças Armadas, com destaque para o arsenal nuclear. Segundo ele, mais de 90% das forças nucleares do país já passaram por modernização, colocando a Rússia, em sua avaliação, à frente de qualquer outra potência nuclear.
Putin também mencionou o novo míssil balístico de alcance intermediário Oreshnik, com capacidade nuclear, que deve entrar oficialmente em operação ainda neste mês. O armamento, segundo o Kremlin, já teria sido testado em versão convencional e seria impossível de interceptar com os sistemas atuais de defesa.
As declarações reforçam o clima de tensão entre Rússia, Ucrânia e países ocidentais, em um momento em que o conflito segue sem perspectiva concreta de cessar-fogo e com riscos crescentes de escalada militar.
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Redação Brasil News