Irã diz que “voltou à normalidade”, mas mortos, censura e silêncio digital levantam suspeitas sobre o regime.

Internacional

As autoridades iranianas anunciaram neste domingo que a situação na capital, Teerã, estaria “sob controle” após dias de intensos protestos que abalaram o país. O pronunciamento veio acompanhado do restabelecimento parcial do acesso à internet, interrompido sem aviso prévio no início de janeiro como resposta às manifestações populares.

Segundo a organização internacional de monitoramento digital NetBlocks, dados de tráfego indicam a volta limitada de alguns serviços online, como plataformas do Google. No entanto, o acesso ocorre sob rígido sistema de filtragem, confirmando relatos de usuários que afirmam enfrentar bloqueios constantes e restrições severas.

Os protestos tiveram início no final de dezembro, impulsionados pela alta do custo de vida, mas rapidamente evoluíram para atos de contestação direta ao regime que governa o país desde a Revolução Islâmica de 1979. Analistas internacionais classificam o movimento como o maior desafio ao poder iraniano desde as manifestações de 2022 e 2023, motivadas pela morte de Mahsa Amini sob custódia policial.

Organizações de direitos humanos traçam um cenário preocupante. A Iran Human Rights afirma que mais de 3.400 manifestantes teriam morrido até o momento, número considerado conservador pela própria entidade. Outras estimativas apontam cifras ainda mais elevadas, que podem chegar a dezenas de milhares de vítimas, embora a falta de acesso pleno à internet dificulte qualquer confirmação independente.

Enquanto isso, o governo iraniano anunciou a reabertura gradual de escolas e universidades, fechadas durante os confrontos, e garantiu ter retomado o controle da situação. Serviços telefônicos internacionais e mensagens de texto começaram a ser restabelecidos, mas grande parte dos provedores de internet segue bloqueada.

Fora do país, a repressão gerou reações imediatas. Grandes manifestações de solidariedade aos protestos iranianos foram registradas neste fim de semana em cidades como Berlim, Londres e Paris, reforçando a pressão internacional sobre Teerã.

O contraste entre o discurso oficial de “normalidade” e os relatos de censura, mortes e repressão continua a alimentar dúvidas sobre o real cenário vivido pela população iraniana.

Foto: Atta Kenare
Redação Brasil News

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