O Governo Federal prorrogou nesta terça-feira (27), por mais 30 dias, o subsídio ao diesel no país, fixando a manutenção do benefício em R$ 2,12 por litro. A decisão busca mitigar os impactos da disparada das cotações internacionais do petróleo tipo Brent — pressionadas pelas tensões no Oriente Médio e pela guerra no Leste Europeu — que superaram a marca dos US$ 110 por barril, gerando forte reflexo nos preços do mercado interno.
A vulnerabilidade do setor produtivo brasileiro, especialmente do agronegócio, decorre do gargalo estrutural no refino nacional. Embora seja um dos maiores produtores de petróleo bruto do mundo, o Brasil importa cerca de 20% do diesel A que consome, segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). A combinação do dólar valorizado com a dependência externa fez o litro do diesel comum subir 6,67% na primeira quinzena de outubro, alcançando média de R$ 7,20, enquanto o diesel S-10 chegou a R$ 7,46 por litro, com picos superiores a R$ 8,00 nas regiões Norte e Centro-Oeste.
No agronegócio, o combustível representa um dos principais insumos operacionais, utilizado massivamente no maquinário de plantio e colheita, bem como no escoamento rodoviário das safras até os portos e centros urbanos. Economistas alertam que o encarecimento do frete reduz a margem de lucro dos produtores e ameaça se desdobrar em pressões inflacionárias sobre os preços dos alimentos na ponta final ao consumidor. Produtores do Sul do país já manifestam preocupação quanto à regularidade do abastecimento às vésperas da safra de verão.
Analistas do setor energético apontam que soluções sustentáveis de longo prazo exigem investimentos na modernização e ampliação da capacidade de refino da Petrobras, além do fortalecimento da malha ferroviária nacional para reduzir a dependência exclusiva do transporte rodoviário de cargas.
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Redação – Thiago Salles