A Polícia Federal (PF) solicitou ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), a apreensão do passaporte e a proibição de saída do país do senador Flávio Bolsonaro (PL). Segundo a corporação, existem riscos “concretos e atuais” de que o parlamentar tente deixar o território nacional para se esquivar de responsabilizações judiciais após a derrota nas eleições presidenciais.
O pedido formulado pela PF baseia-se no cruzamento de três fatores centrais: declarações públicas de seu irmão, Eduardo Bolsonaro, incentivando o senador a deixar o Brasil em caso de insucesso eleitoral; o elevado poder financeiro de Flávio; e a existência de uma estrutura logística e imobiliária já consolidada no exterior capaz de assegurar sua permanência por tempo indeterminado fora do país.
A solicitação está vinculada ao inquérito que apura a relação de Flávio com o advogado Willer Tomaz em um suposto esquema de lavagem de dinheiro envolvendo apostas esportivas. Tomaz encontra-se em Miami desde agosto de 2026, quando foi alvo da Operação Sem Desconto. Paralelamente, a PF investiga se recursos financeiros do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, remetidos aos Estados Unidos via doleiro, foram utilizados para financiar a infraestrutura mantida por Eduardo no território norte-americano.
Além da apuração sobre as apostas esportivas, o senador também é alvo de investigações que checam a origem e destinação de recursos envolvidos na produção do documentário Dark Horse, focado na trajetória de Jair Bolsonaro. Para a Polícia Federal, o conjunto de indícios afasta o risco de fuga do campo abstrato, exigindo medidas cautelares imediatas para resguardar as investigações em curso.
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Redação – Thiago Salles