Pentágono apura conduta de senador democrata após vídeo sobre desobediência a ordens militares.

Internacional

O Pentágono anunciou a abertura de uma investigação formal contra o senador democrata Mark Kelly, do Arizona, após a divulgação de um vídeo em que ele e outros parlamentares orientam integrantes das Forças Armadas a recusarem ordens consideradas ilegais. O caso ganhou grande repercussão política e ocorre poucos dias depois de ameaças feitas publicamente pelo ex-presidente Donald Trump contra os congressistas envolvidos.

Kelly, que é capitão da Marinha na reserva e ex-astronauta, aparece no vídeo ao lado de outros cinco parlamentares democratas com histórico de atuação nas Forças Armadas ou em órgãos de inteligência dos Estados Unidos. Na gravação, eles alertam os militares sobre o direito de não cumprir determinações que violem a lei, ainda que não tenham citado ordens específicas.

O senador afirmou, posteriormente, que as preocupações envolvem operações recentes no Caribe, nas quais ações militares contra embarcações suspeitas teriam provocado dezenas de mortes. Segundo ele, soldados podem ficar juridicamente vulneráveis se executarem comandos que futuramente sejam considerados ilegais.

A reação do governo Trump foi imediata. Em publicações nas redes sociais, o ex-presidente classificou a atitude dos parlamentares como “comportamento sedicioso” e chegou a sugerir punições extremas. Após essas declarações, todos os envolvidos relataram ter recebido ameaças de morte.

O secretário de Defesa, Pete Hegseth, criticou duramente o conteúdo do vídeo, alegando que ele estimula a quebra de hierarquia militar. Já especialistas em Direito Militar afirmam que militares são treinados justamente para recusar ordens ilegais, como ataques a civis. Eles também avaliam que Kelly pode estar amparado pela proteção constitucional à liberdade de expressão.

Líderes democratas reagiram à investigação. O senador Chuck Schumer acusou o governo de tentar usar o Pentágono como instrumento de perseguição política. Kelly, por sua vez, declarou que não será intimidado e que continuará cumprindo seu papel constitucional no Congresso.

O episódio se soma a outras ações recentes envolvendo parlamentares da oposição e aumenta ainda mais a tensão entre o governo Trump e o Partido Democrata.

Foto: Kenny Holston / The New York Times

Redação Brasil News

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *