O porta-aviões USS Gerald Ford, considerado o maior do mundo, foi incorporado nesta terça-feira (11) à operação militar dos Estados Unidos voltada ao combate ao narcotráfico na América Latina. O envio da embarcação, anunciado pelo Comando Sul das Forças Navais americanas, ampliou a tensão política e militar na região, especialmente com a Venezuela, que reagiu com um novo movimento de tropas e exercícios de defesa.

(O maior porta-aviões do mundo, USS Gerald Ford, navega no Mar do Norte durante o exercício Neptune Strike 2025 da Otan, em 24 de setembro de 2025© Jonathan KLEIN
De acordo com o Pentágono, a chegada do Gerald Ford à área de responsabilidade do Comando Sul tem o objetivo de reforçar a vigilância e interceptar atividades ilícitas no Caribe e no Pacífico, regiões apontadas por Washington como rotas de tráfico de drogas oriundas da Venezuela e da Colômbia.
“O porta-aviões reforçará nossa capacidade de detectar, monitorar e neutralizar ameaças que colocam em risco a segurança dos Estados Unidos e de todo o hemisfério ocidental”, afirmou o porta-voz do Departamento de Defesa, Sean Parnell.
Desde setembro, os EUA mantêm navios de guerra, caças e milhares de militares mobilizados no Mar do Caribe para a operação. Segundo o secretário de Defesa, Pete Hegseth, as ações resultaram até o momento na destruição de 20 embarcações e na morte de ao menos 76 pessoas — números que levantaram questionamentos internacionais sobre a legalidade das ofensivas.
A Rússia classificou os ataques como “inaceitáveis”, acusando Washington de agir “acima da lei internacional”. O ministro das Relações Exteriores russo, Sergei Lavrov, afirmou em entrevista à TV estatal que os bombardeios são um “pretexto para expandir o poder militar americano”.
A Colômbia também reagiu. O presidente Gustavo Petro determinou a suspensão da cooperação de inteligência com os Estados Unidos, denunciando o que chamou de “execuções extrajudiciais disfarçadas de combate ao narcotráfico”.
“Nenhum agente do Estado colombiano deve compartilhar dados com as forças americanas enquanto esses ataques continuarem”, declarou Petro na rede X (antigo Twitter).
Enquanto isso, o governo da Venezuela anunciou uma mobilização militar de 200 mil soldados em resposta ao que chamou de “ameaças imperiais”. O ministro da Defesa, Vladimir Padrino López, informou que as forças armadas do país estão em alerta total, com “meios terrestres, navais e aéreos” posicionados em pontos estratégicos.
A televisão estatal venezuelana exibiu imagens de tropas armadas e exercícios com mísseis. O presidente Nicolás Maduro aproveitou a ocasião para sancionar uma nova lei que cria os Comandos de Defesa Integral, grupos civis e militares voltados à “proteção da soberania nacional”.
“Se for preciso pegar em armas para defender a pátria dos libertadores, o povo venezuelano está pronto para lutar e vencer”, disse Maduro em discurso transmitido ao vivo.
Analistas veem o episódio como mais um capítulo da escalada militar entre Caracas e Washington, reacendida desde que o governo americano acusou Maduro de chefiar uma rede de narcotráfico ligada à América Central.
O USS Gerald Ford, com mais de 330 metros de comprimento e capacidade para 75 aeronaves, havia participado recentemente do exercício Neptune Strike 2025, conduzido pela OTAN no Mar do Norte, antes de seguir para águas latino-americanas.
📸 Foto: Jonathan Klein / AFP
✍️ Redação Brasil News