Protestos e impasses marcam o terceiro dia da COP30 em Belém; China surpreende com queda nas emissões.

Internacional

O terceiro dia da COP30, realizado nesta terça-feira (11) em Belém (PA), foi dominado por um misto de tensão política e avanços discretos. Um protesto de manifestantes indígenas e ambientalistas surpreendeu o esquema de segurança do evento, enquanto as negociações sobre combustíveis fósseis enfrentaram resistência da Arábia Saudita, e a China chamou atenção com novos dados sobre redução de emissões de carbono.

Durante a manhã, o clima de instabilidade se acentuou quando grupos de manifestantes tentaram forçar a entrada na área principal da conferência. O episódio mobilizou forças de segurança e provocou interrupções temporárias na programação. Apesar do impasse, o diálogo entre os organizadores e representantes dos movimentos sociais foi restabelecido sem registro de feridos.

Nos bastidores das negociações, a transição energética voltou a ser o principal ponto de discórdia. Delegações pressionaram por metas mais firmes de redução do uso de combustíveis fósseis, mas a Arábia Saudita manteve posição contrária a qualquer compromisso que limite a exploração de petróleo. Por depender do consenso entre países, o impasse pode atrasar um dos acordos mais esperados da conferência.

Em contraste, a China apresentou um panorama mais otimista: suas emissões de dióxido de carbono (CO₂) se mantêm estáveis há 18 meses e, segundo o instituto Carbon Brief, o país deve encerrar 2025 com o primeiro recuo real em anos. O avanço é atribuído ao crescimento expressivo da energia solar e eólica e à redução no consumo de combustíveis fósseis.

“A China demonstra liderança na transição verde. O movimento global deve acompanhar esse ritmo”, afirmou o governador da Califórnia, Gavin Newsom, que participa da conferência como observador internacional.

Sob a presidência brasileira, a COP30 também enfrenta seu primeiro grande desafio diplomático: mediar quatro temas sensíveis que ficaram de fora da pauta oficial — financiamento climático, comércio internacional, metas de mitigação e relatórios de implementação. A estratégia do Brasil tem sido tratar os assuntos em consultas paralelas, na tentativa de destravar as discussões antes da reta final do evento.

Apesar das tensões, houve espaço para momentos simbólicos. O grupo G77 + China, que reúne 134 países em desenvolvimento, recebeu o prêmio “Raio do Dia”, concedido por organizações ambientais como a Climate Action Network. A homenagem destacou a defesa do bloco por uma transição justa, capaz de equilibrar sustentabilidade, economia e inclusão social.

Enquanto as discussões avançam, a cultura amazônica também ganha visibilidade. A arte marajoara, com suas formas geométricas e tons inspirados em pigmentos naturais, foi apresentada em um dos espaços da conferência como símbolo da identidade paraense.

A COP30 segue até o fim de novembro, com expectativa de anúncios concretos sobre financiamento verde e novas metas globais de redução de carbono.

📸 Foto: Anderson Coelho / Reuters
✍️ Redação Brasil News

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