A agenda climática ganhou novo fôlego com o anúncio do blue package, um amplo pacote de ações voltadas para soluções climáticas marinhas, apresentado na COP30, em Belém. A enviada especial para Oceanos, Marinez Scherer, afirmou que a iniciativa tem potencial para reduzir até 35% das emissões globais de CO₂ até 2050, posicionando o oceano como protagonista da agenda de mitigação.

Foto: Marinez Scherer/Instagram
Construído por especialistas brasileiros, representantes da sociedade civil e pela presidência da COP, o pacote reúne cerca de 70 propostas que abrangem energia renovável oceânica, navegação de baixo carbono, aquicultura sustentável, conservação marinha, turismo costeiro e novos modelos de investimento em inovação azul.
O plano busca destravar recursos financeiros e mobilizar tanto governos quanto o setor privado para ampliar a proteção marinha. As estimativas apontam que serão necessários entre US$ 130 bilhões e US$ 170 bilhões para viabilizar a transição proposta e fortalecer a resiliência costeira diante das mudanças climáticas.
“Queremos garantir que o oceano continue sendo o grande estabilizador climático do planeta, restaurando áreas costeiras e protegendo ecossistemas essenciais”, destacou Scherer. Ela defendeu que o avanço das ações depende de marcos regulatórios claros, mecanismos de redução de risco e maior responsabilização dos países.
Entre as novidades, foi lançado também o Ocean Breakthroughs Dashboard, plataforma que permitirá acompanhar, em tempo real, o progresso das metas ligadas aos oceanos. Segundo os organizadores, a ferramenta representa um “novo contrato social para a governança marinha”.
Até o momento, 17 países assumiram o compromisso de incluir o oceano em suas Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs). Além de Brasil e França, já haviam aderido nações como Austrália, Fiji, Chile e Reino Unido. Entraram agora no grupo Bélgica, Camboja, Canadá, Indonésia, Portugal e Singapura.
Para a comitiva brasileira, colocar o oceano no centro das decisões climáticas significa alinhar os compromissos nacionais com esforços globais já em andamento. A expectativa é que o blue package marque uma nova fase da diplomacia ambiental, unindo preservação, desenvolvimento e inovação.
Foto: Marinez Scherer/Instagram
Redação Brasil News