Reconhecido internacionalmente pela ofensiva contra as organizações criminosas, o presidente de El Salvador, Nayib Bukele, enfrenta um novo desafio: convencer a população de que os sacrifícios econômicos fazem parte da recuperação financeira do país.
Embora os índices de violência tenham caído significativamente nos últimos anos, muitos salvadorenhos afirmam que o impacto das medidas de austeridade já afeta diretamente o orçamento das famílias. Entre as ações adotadas pelo governo estão cortes de despesas públicas, redução do número de servidores e mudanças exigidas após um acordo firmado com o Fundo Monetário Internacional (FMI), que prevê financiamento de até US$ 1,4 bilhão.
Uma das pessoas atingidas pelas mudanças foi a psicóloga Lilian Hernández, que perdeu o emprego no serviço público durante o processo de enxugamento da máquina estatal. Sem conseguir nova colocação, ela antecipou a aposentadoria e hoje afirma enfrentar dificuldades para manter as despesas da casa, onde também cuida da mãe diagnosticada com Alzheimer.
Economistas apontam que milhares de funcionários públicos foram desligados desde o início das medidas de ajuste. Já entidades sindicais afirmam que o número de demissões acumuladas desde o início do governo Bukele é ainda maior.
Especialistas destacam que o governo busca reduzir uma dívida pública considerada elevada e equilibrar as contas nacionais. Ao mesmo tempo, críticos argumentam que a estratégia tem elevado o custo de vida e ampliado as dificuldades para trabalhadores e aposentados.
Mesmo diante das críticas na área econômica, Bukele continua sendo amplamente reconhecido por grande parte da população pela redução da criminalidade, tornando o cenário salvadorenho um contraste entre ganhos na segurança pública e desafios econômicos enfrentados por milhares de famílias.
Foto: Marvin Recinos/AFP
Redação – Ana Flavia