O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) elevou o tom contra a proposta de ajuste fiscal defendida pela campanha de Flávio Bolsonaro (PL) e afirmou nesta quarta-feira (7) que estudantes poderiam ser diretamente atingidos pelas medidas.
A equipe econômica de Flávio trabalha com a possibilidade de realizar um ajuste equivalente a aproximadamente 1,5% do Produto Interno Bruto, valor próximo de R$ 200 bilhões.
A proposta não significa, porém, um corte de R$ 200 bilhões exclusivamente na Educação.
O impacto sobre a área foi levantado pelo ministro da Educação, Leonardo Barchini, que argumenta que seria difícil alcançar uma economia desse tamanho apenas reduzindo despesas administrativas sem atingir políticas públicas.
Ao repercutir a avaliação do ministro, Lula afirmou que programas voltados aos estudantes poderiam entrar na conta.
“A promessa de Flávio Bolsonaro tem uma conta — e quem vai pagar são os estudantes”, declarou o presidente.
Segundo Lula, um ajuste dessa magnitude colocaria em risco o Pé-de-Meia, programa que oferece incentivo financeiro para estudantes do ensino médio permanecerem na escola.
O presidente também citou possíveis impactos sobre universidades e institutos federais, obras de creches e escolas de tempo integral, transporte escolar e contratos de serviços terceirizados.
As consequências mencionadas, entretanto, representam a avaliação feita pelo governo Lula sobre o plano fiscal adversário e não uma lista oficial de cortes apresentada pela campanha de Flávio.
Ministro alerta para impacto sobre Educação
Leonardo Barchini afirmou que a Educação possui participação relevante entre as despesas discricionárias do governo federal e que um corte de aproximadamente R$ 200 bilhões exigiria mudanças profundas no Orçamento.
Entre as áreas que, segundo ele, poderiam ser afetadas estão bolsas da Capes, manutenção de universidades e institutos federais, investimentos em infraestrutura educacional e o próprio Pé-de-Meia.
A avaliação faz parte da disputa política e econômica que ganhou força no segundo turno presidencial.
Campanha de Flávio rebate críticas
A equipe de Flávio Bolsonaro nega que a proposta tenha como objetivo desmontar programas educacionais.
A coordenadora econômica da campanha, Daniella Marques, tem afirmado que o ajuste será buscado principalmente por meio do combate a desperdícios, fraudes, privilégios e despesas consideradas excessivas dentro da administração pública.
Assessores econômicos ligados à candidatura também discutem mudanças estruturais para controlar o crescimento das despesas obrigatórias.
Entre as alternativas avaliadas estão redução do número de ministérios, revisão de gastos administrativos, mudanças nas regras de despesas públicas e reformas que dependeriam de aprovação do Congresso.
Algumas dessas ideias ainda estão em discussão e não necessariamente integram formalmente o programa definitivo da candidatura.
Lula promete ampliar o Pé-de-Meia
Em resposta ao debate sobre os cortes, Lula voltou a defender a ampliação do Pé-de-Meia caso seja reeleito.
O presidente afirmou que pretende universalizar o programa em 2027, ampliando o número de estudantes atendidos.
Atualmente, o benefício é direcionado principalmente a alunos do ensino médio público pertencentes a famílias inscritas no Cadastro Único.
“Lugar de jovem é na escola, com apoio para concluir os estudos e ir mais longe”, afirmou Lula.
O presidente passou a apresentar o tema da Educação como uma das diferenças entre sua candidatura e a de Flávio Bolsonaro para o segundo turno.
A disputa ocorre em meio a um debate mais amplo sobre as contas públicas.
A equipe de Flávio defende um ajuste fiscal expressivo para conter o avanço da dívida e reduzir o peso das despesas públicas.
Já a campanha de Lula argumenta que um corte dessa dimensão poderia comprometer políticas sociais e investimentos federais.
Os dois candidatos disputarão o segundo turno da eleição presidencial em 25 de outubro.
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Redação – Thiago Salles