Guerra comercial nas redes! Repúdio a ‘tarifaço’ de Trump e cobrança ao clã Bolsonaro disparam na web.

Internacional

A proposta do governo dos Estados Unidos, liderado pelo presidente Donald Trump, de impor pesadas tarifas adicionais sobre as importações de produtos brasileiros detonou uma verdadeira crise de imagem e uma onda de indignação sem precedentes nas redes sociais brasileiras. De acordo com um levantamento de inteligência digital realizado pela AtivaWeb DataLab, divulgado pela coluna de Mônica Bergamo na Folha de S.Paulo, o tema acumulou a impressionante marca de 15 milhões de interações até a tarde desta terça-feira (2 de junho de 2026). O dado mais alarmante para a oposição e para a diplomacia americana é que 78% das manifestações monitoradas carregaram um forte sentimento negativo voltado contra o mandatário estadunidense e contra integrantes da família Bolsonaro. As reações de apoio corresponderam a apenas 11,7%, enquanto as postagens neutras somaram 10,3%.

A forte turbulência digital ocorre em meio a uma reengenharia de tensões e embates bilaterais de guerrilha narrativa entre o governo de Donald Trump e o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Diante da repercussão amplamente desfavorável e da explosão de termos como “traição ao Brasil” nos tópicos mais comentados da internet, a ala bolsonarista tentou acionar um plano de contenção de danos e blindagem política. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) chegou a enviar uma carta oficial às autoridades de Washington apelando para que as sanções econômicas e tarifas aduaneiras contra o mercado brasileiro fossem abortadas. No entanto, o relatório da AtivaWeb aponta que a articulação foi vista com ceticismo, com 69% das menções diretas aos irmãos Flávio e Eduardo Bolsonaro mantendo o viés crítico. O público demonstrou forte “rejeição à percepção de conspiração e traição aos interesses nacionais” devido ao alinhamento histórico do grupo com o líder da Casa Branca.

Por outro lado, o levantamento identificou um fenômeno raro no atual cenário hiperpolarizado do país: a defesa intransigente da soberania nacional converteu-se no maior vetor de mobilização emocional das redes, quebrando barreiras partidárias. Esse bloco narrativo específico cravou 74,2% de aprovação e conseguiu conectar eleitores tanto de esquerda quanto de direita em torno de um ideal de proteção econômica mútua contra pressões estrangeiras. O próprio Donald Trump emergiu como o grande vilão do debate digital, com sua desaprovação escalando para 62,9% à medida que os usuários começavam a calcular e projetar os severos impactos inflacionários e o desemprego que o tarifaço americano poderia injetar na indústria e no agronegócio do Brasil.

Foto: Divulgação / Redes Sociais

Redação – Thiago Salles

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