O presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, declarou que o país deixará de realizar eleições presidenciais, encerrando a possibilidade de novas disputas pelo comando do governo. A afirmação foi feita durante um discurso em comemoração ao aniversário da Revolução Sandinista, realizada no último domingo (20).
No pronunciamento, Ortega afirmou que não permitirá o retorno ao poder de grupos ligados à oposição, que classificou como aliados de interesses estrangeiros. Segundo o presidente, a decisão busca impedir que forças políticas contrárias ao seu governo assumam novamente o controle do país.
A declaração representa um novo capítulo no fortalecimento do poder do líder nicaraguense, que governa o país de forma contínua desde 2007 e já havia exercido a Presidência durante a década de 1980. Nos últimos anos, reformas constitucionais ampliaram sua influência sobre as instituições do Estado e oficializaram sua esposa, Rosario Murillo, como copresidente da República.
A última eleição presidencial realizada na Nicarágua, em 2021, foi alvo de fortes críticas da comunidade internacional após a prisão de opositores, líderes empresariais e jornalistas antes da votação. Diversos organismos internacionais questionaram a legitimidade do processo eleitoral.
O governo de Ortega também enfrenta acusações de violações sistemáticas dos direitos humanos. Relatórios de organismos ligados à Organização das Nações Unidas apontam restrições às liberdades civis, perseguição à oposição e concentração de poder nas mãos do Executivo.
A crise política no país se intensificou após os protestos de 2018, reprimidos pelas forças de segurança. Desde então, a Nicarágua permanece sob forte pressão internacional, enquanto cresce a preocupação sobre o futuro da democracia no país.
Foto: Leonardo Fernandez Viloria/Reuters
Redação – Ana Flavia