Governo critica projeto de Derrite e alerta para enfraquecimento da Polícia Federal.

Política

O governo federal reagiu com firmeza à nova versão do projeto antifacção apresentada pelo deputado Guilherme Derrite (PP-SP), relator do texto na Câmara. A proposta inclui um dispositivo que restringe a atuação da Polícia Federal (PF) em investigações de organizações criminosas, condicionando a participação da corporação à autorização dos governadores estaduais.

A ministra Gleisi Hoffmann e o líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (PT-RJ), classificaram o relatório como um “ataque direto” à PF e alertaram que a medida pode abrir espaço para interferências políticas e proteção de parlamentares investigados.

“Esse relatório relaxa o combate ao crime organizado e tenta limitar o trabalho da Polícia Federal. É, na prática, uma lei da blindagem”, declarou Gleisi em entrevista à GloboNews.

O texto apresentado por Derrite prevê que caberá às polícias civis a apuração de atos de terrorismo cometidos por facções, enquanto a PF só poderia atuar em casos com repercussão interestadual, transnacional ou que ameacem a segurança nacional — e ainda assim somente mediante solicitação formal dos governadores.

Para Lindbergh Farias, a proposta repete a lógica da antiga PEC da Blindagem, rejeitada pelo Senado.

“Estão tentando recriar uma proteção para membros do parlamento. É a mesma turma que quis enfraquecer a Polícia Federal lá atrás”, afirmou.

O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou ter promovido uma reunião entre Derrite e o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, para ajustar pontos de conflito e garantir a preservação das atribuições da instituição.

O deputado Lindbergh Farias discursa na Câmara — Foto: Reprodução/TV Câmara

Mesmo assim, o governo considera o relatório preocupante e pretende negociar mudanças antes da votação. A principal exigência da base governista é retirar a necessidade de autorização estadual para que a PF possa atuar em operações contra facções criminosas.

Nos bastidores, aliados do Planalto veem a proposta como uma resposta indireta à Operação Carbono Oculto, deflagrada em outubro pela PF contra o Primeiro Comando da Capital (PCC). O tema deve ser votado nesta terça-feira (11) na Câmara dos Deputados.

Por Redação Brasil News
Foto: Ton Molina / FotoArena / Estadão Conteúdo

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