O cenário geopolítico no Oriente Médio atingiu o nível mais crítico dos últimos anos com uma violenta sequência de ataques bilaterais entre o Irã e os Estados Unidos. Nesta sexta-feira (17), as forças armadas de Teerã e o Pentágono expandiram significativamente o perímetro das operações militares, transformando o Golfo Pérsico e os países vizinhos em um palco aberto de guerra. Desde a retomada aberta das hostilidades, os balanços hospitalares oficiais confirmam a morte de ao menos 38 pessoas, além de mais de 400 feridos de gravidade variada.
A Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC) coordenou uma série de bombardeios táticos de alta precisão utilizando mísseis e enxames de drones kamikazes contra posições logísticas e bases aéreas operadas por tropas norte-americanas em quatro nações da região. No Bahrein, o alvo foi a base aérea de Sakhir, onde o Irã afirma ter destruído helicópteros e aeronaves de reconhecimento técnico. No Kuwait, as incursões pulverizaram depósitos de armamentos pesados, um radar estratégico de defesa antimísseis e dois lançadores do sistema de artilharia HIMARS — a investida acabou avariando também uma usina local de geração de energia e dessalinização de água. Na Jordânia e na Síria (na guarnição de al-Tanf), caças, aviões-tanque e postos de comando de operações especiais dos EUA sofreram danos severos.
Pentágono mira portos, ferrovias e cidades costeiras
Como contraofensiva imediata, os Estados Unidos mudaram a estratégia de focar apenas em alvos militares e ampliaram os bombardeios aéreos contra a infraestrutura civil e logística do território iraniano. Caças norte-americanos miraram conexões vitais próximas ao Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais importantes do comércio de petróleo mundial. Sete pontes rodoviárias foram colapsadas por mísseis, sendo seis delas localizadas na província de Hormozgan, isolando comunidades e travando o fluxo de cargas terrestres em direção ao mega porto de Bandar Abbas.
A malha ferroviária iraniana também virou alvo prioritário de Washington. Trechos ferroviários cruciais em Bandar Abbas e em áreas próximas à fronteira com o Paquistão foram implodidos, interrompendo o escoamento de suprimentos do país. O Aeroporto de Iranshahr, as instalações de controle de tráfego marítimo de Chabahar e as cidades litorâneas de Sirik, Qeshm, Ahvaz e Bushehr sofreram impactos severos de munições guiadas por satélite.
“A violência dos impactos noturnos ceifou a vida de oito civis nas últimas horas. Em Bandar Abbas, uma mulher foi morta dentro de sua residência no bairro de Tappeh Allah Akbar, e seu filho de apenas um ano foi internado em estado gravíssimo após ser atingido por múltiplos estilhaços”, denunciou o Ministério da Saúde do Irã em nota oficial.
Crise humanitária e condenação internacional
A escalada de agressões tem gerado forte apreensão na comunidade internacional devido ao rápido avanço dos danos colaterais a instalações civis protegidas por tratados internacionais. Em um dos episódios mais sensíveis, registrado na noite da última quarta-feira (16), as Forças Armadas dos EUA despejaram bombas em um perímetro colado a um hospital infantil especializado em oncologia.
A onda de choque e os riscos de desabamento estrutural forçaram as equipes médicas e socorristas locais a realizarem a evacuação de emergência de mais de 200 crianças em tratamento ativo contra o câncer sob o som de sirenes e explosões, agravando o cenário humanitário da região. Diplomatas tentam traçar canais de diálogo de urgência na ONU, mas ambos os lados sinalizam a manutenção das ofensivas em larga escala.
Foto: Mostafa Tehrani / Tasnim / Redação – Thiago Salles