Mistério de 50 anos chega ao fim: ativista dada como morta na ditadura de Pinochet é encontrada viva na Argentina.

Internacional

Um dos casos mais emblemáticos da ditadura militar chilena ganhou um desfecho surpreendente. A professora e ativista Bernarda Vera Contardo, que durante mais de 50 anos figurou na lista oficial de desaparecidos políticos do regime de Augusto Pinochet, foi encontrada viva na província de Buenos Aires, na Argentina.

A confirmação da identidade ocorreu após um exame de DNA apontar compatibilidade superior a 99,9999%, encerrando décadas de incertezas para familiares que perderam contato com Bernarda em 1973, quando ela tinha apenas 27 anos.

Militante do Movimento de Esquerda Revolucionária (MIR), Bernarda desapareceu logo após o golpe militar que instaurou a ditadura no Chile. Desde então, seu nome passou a integrar os registros oficiais de vítimas do regime, sendo considerada morta ou desaparecida durante todo esse período.

A descoberta aconteceu no âmbito do Plano Nacional de Busca, Verdade e Justiça, iniciativa criada pelo governo chileno para esclarecer o destino de pessoas desaparecidas durante a ditadura. As investigações foram retomadas em 2024 e culminaram na localização da ativista em território argentino.

A notícia foi comunicada oficialmente pelo Poder Judiciário chileno aos familiares e provocou forte repercussão no país. Especialistas em direitos humanos afirmam que o caso poderá abrir novas linhas de investigação sobre desaparecimentos forçados e reforça a necessidade de ampliar a apuração dos crimes praticados durante o regime militar.

Além do impacto emocional para a família, a descoberta reacende o debate sobre a responsabilidade do Estado chileno na identificação das vítimas da ditadura e na busca por respostas para centenas de pessoas que continuam desaparecidas até hoje.

Foto: Reprodução / Arquivo Familiar

Redação: Ana Flavia

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