O dólar iniciou esta segunda-feira (2) em alta firme frente ao real, em meio ao aumento da aversão ao risco nos mercados internacionais após os ataques de Estados Unidos e Israel contra o Irã no fim de semana.
Às 9h26, o dólar à vista subia 0,85%, sendo negociado a R$ 5,1782. Na B3, o contrato futuro com vencimento em abril avançava 0,93%, cotado a R$ 5,2185.
A escalada do conflito no Oriente Médio impulsionou uma alta superior a 8% nos preços do petróleo e pressionou bolsas internacionais, especialmente na Europa. Em cenários de incerteza geopolítica, investidores costumam migrar para ativos considerados mais seguros, como o dólar e o ouro.
Apesar de o Brasil ser exportador relevante de petróleo — o que, em tese, poderia favorecer o real — o ambiente de risco global falou mais alto na abertura da sessão. Analistas destacam que o fluxo internacional priorizou liquidez e proteção, fortalecendo a moeda norte-americana frente a diversas divisas emergentes.
No cenário doméstico, o Boletim Focus do Banco Central do Brasil indicou leve revisão nas projeções para o câmbio ao fim de 2026, passando de R$ 5,45 para R$ 5,42. A expectativa para a taxa básica de juros (Selic) no encerramento deste ano foi ajustada para 12%, enquanto para 2027 permaneceu em 10,50%. Atualmente, a Selic está em 15% ao ano.
O diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos — cuja taxa está na faixa de 3,50% a 3,75% — vinha sendo apontado como fator de atração de capital estrangeiro ao país. No entanto, o aumento das tensões geopolíticas tende a sobrepor fundamentos econômicos no curto prazo, ampliando a volatilidade cambial.
Na sexta-feira anterior, o dólar havia fechado em leve queda de 0,09%, a R$ 5,1344. O cenário desta segunda, porém, indica uma mudança abrupta de humor nos mercados globais.

Foto: Kham / Reuters
Redação Brasil News