A escalada da guerra no Oriente Médio começou a provocar um movimento incomum em Dubai. Conhecida mundialmente pelo luxo, segurança e estabilidade econômica, a cidade agora vê parte de sua população mais rica tentando sair do país diante do temor de novos ataques.
Nos últimos dias, drones e mísseis cruzaram os céus dos Emirados Árabes Unidos, aumentando o clima de insegurança entre empresários, investidores e estrangeiros que vivem na região.
Alguns moradores extremamente ricos estão pagando valores que chegam a 200 mil dólares por voos privados para deixar o país e buscar refúgio temporário em destinos considerados mais seguros.
Um dos casos relatados envolve uma família que deixou o famoso arquipélago artificial Palm Jumeirah após uma explosão causada por destroços de míssil atingir um hotel de luxo nas proximidades.
A família viajou cerca de seis horas pelo deserto até chegar a Mascate, em Omã, de onde conseguiu embarcar em um voo privado rumo a Genebra.
O movimento ocorre porque o espaço aéreo da região está parcialmente restrito, dificultando a saída direta de aeronaves a partir de Dubai.
Empresas de aviação privada afirmam que a procura por voos de emergência disparou. Segundo representantes da empresa Air Charter Service, vários voos de evacuação já foram organizados nos últimos dias.
A principal rota de saída atualmente passa por Omã, mas o aumento da demanda provocou congestionamento na fronteira entre os países, com filas que chegam a durar horas.
Alguns residentes também estão tentando sair pela Arábia Saudita, cujos aeroportos continuam operando normalmente. No entanto, a obtenção de visto de entrada tem sido um desafio para muitos estrangeiros.
A situação contrasta com a imagem de Dubai como um refúgio seguro em uma região historicamente marcada por conflitos.
A cidade, que abriga o prédio mais alto do mundo — o Burj Khalifa — além de grandes hotéis, parques temáticos e centros comerciais gigantescos, tornou-se nas últimas décadas um destino popular entre milionários, celebridades e investidores internacionais.
Agora, porém, o cenário mudou. Desde o início da atual crise, autoridades afirmam que o país já foi alvo de centenas de drones e mísseis, alguns deles interceptados pelos sistemas de defesa aérea.
Enquanto os super-ricos conseguem pagar valores altíssimos para sair rapidamente, moradores com menos recursos enfrentam dificuldades para encontrar voos disponíveis ou arcar com os custos da evacuação.
Governos de países europeus, como Reino Unido e Alemanha, também começaram a enviar aeronaves para Omã com o objetivo de retirar seus cidadãos da região.
Apesar do clima de tensão, muitos estrangeiros afirmam que pretendem retornar a Dubai quando a situação se estabilizar.
Foto: Fadel SENNA
Redação Brasil News